7 motivos pra você assistir a série Rua Augusta, do canal TNT

Compartilhe

No dia 15 de março estreou na TNT a primeira série brasileira original do canal, Rua Augusta, que é protagonizada por Fiorella Mattheis.

Cenários exuberantes e com toda pompa de superprodução, Rua Augusta apresenta um bom nível de excelência e facilmente desperta a paixão do público, basta ver alguns minutos da série, pronto, você já está conectado à trama.

Nós do Cinéfilos Anônimos assistimos aos 12 episódios e, apesar de apresentarem alguns personagens fracos e algumas pequenas falhas de roteiro, no geral, Rua Augusta se apresenta como uma ótima série, e é nisso que vamos focar aqui, selecionando SETE MOTIVOS para você ir correndo assistir RUA AUGUSTA:

 

1 – A Rua Augusta e seu charme noturno underground

A famosa região paulistana sempre despertou interesses e curiosidades por sua vasta características e gêneros, uma boa parte da Augusta é frequentada pela galera que procura cultura, cinemas, bares, restaurantes, entre outras coisas, mas também tem a região chamada “Baixo Augusta”, o coração da região, onde pulsa até o acordar do sol, onde a pessoas procuram sexo, drogas e diversão – um universo particular da noite e do submundo, tudo ali é assustador e perigoso, mas, de fato, é atentador e é nesse submundo em que a série da TNT focaliza sua história.

 

2 – A história e suas ramificações

Mika, personagem de Fiorella Mattheis, encerra sua apresentação na Love, um clube de stripper, e, em seguida, parte para terminar a noite na Hell, uma famosa boate underground que fica localizada bem em frente ao seu local de trabalho. Durante a noite, enquanto se diverte, ela se envolve em uma discussão com um rapaz, Mika é ferida pelo homem, que a perfura com uma garrafa de vidro quebrada. Tudo isso acaba envolvendo o dono da Boate, segurança e parceiros de Mika – uma outra “vítima” é revelada no local, e essa, é nada menos que o filho de um dos homens mais poderosos de São Paulo, claro, um político, e ele mesmo começa usa o seu poder e inicia sua investigação pra saber o que aconteceu naquela noite fatídica que deixou seu filho em coma e à beira da morte.

A partir desse arco, tudo que se apresenta na tentativa de assassinato de Mika ganha ramificações, e aos poucos todos os personagens revelados nas cenas iniciais começam a se conectarem e o crime ganha proporções grandes, o suficiente para se manter em alto nível durante os 12 episódios da temporada.

3 – A conexão com todos os personagens e subgêneros

O roteiro faz um ótimo trabalho com os personagens, sem furo algum, cada um vai se conectando de alguma forma conforme os atos vão acontecendo. A cada ação de um dos personagens interfere em outros, é como pisar em ovos, por mais cuidado que você tenha, você acaba quebrando um, e isso acontece constantemente na série. É um jogo de empurra e cada ação deles provoca reviravoltas na narrativa, deixando personagens, por muitas vezes, a um passo de serem descobertos, ou que seus segredos são revelados – é um enorme passeio por vários subgêneros do suspense. Segredos, crimes, mistérios e suspenses estão todos muito bem conectados.

 

4 – Mulheres Empoderadas e a primeira cena de sexo Trans na TV brasileira

Outro ponto forte nesta série são a força das Strippers, Mika é complexa e misteriosa, ao mesmo tempo é atormentada pelo seu passado, por causa da rigidez de seu pai. Já a Nicole (prostituta vivida por Pathy Dejesus) é uma personagem conflituosa, interessante e dominadora, faz com que o mundo e os homens girem em torno de si. Mas tanto Mika quanto Nicole são mulheres que não dependem de ninguém, principalmente da figura masculina. Donas de si, manipulam suas próprias rédeas.

Não podemos deixar de citar aqui a personagem Babete, interpretada por Dani Glamour, uma transexual que trabalha na boate Hell e tem um papel muito importante na série, sua personagem por mais que esteja apaixonada e muitas vezes esse amor cheio de interesses e não correspondido possa apresentar fragilidade, de fato não é isso que acontece, Babete se mostra uma trans forte, passando facilmente por cima de todos os obstáculos.

Sua relação com Raul, personagem de Milhem Cortaz vai além de uma história de amor não correspondida por medo de assumirem os papéis, em uma das cenas mais picantes da série, o casal entra pra história da TV ao fazer a primeira cena de sexo trans na TV brasileira, é tabu sendo quebrado no mais original dos lugares de São Paulo, a Rua Augusta.

 

5 – Cores, fotografia e muito neon

Como costumam ser as boates, tons escuros e os excessivos neons predominam as casas, na série tudo é muito bem apresentado, as lentes flertam com o noir e as cores que compõem todo esse cenário da badalada Augusta ajudam a compor um ar mais sombrio aos mistérios e suspenses de cada personagem e suas ações.

Logo no primeiro episódio a fotografia já prende a sua atenção com todo aquele visual neon que causa certa psicodelia no expectador. As câmeras estão sempre em movimento, é como se ela te convidasse a adentrar-se na agitada vida dos personagens quando estão na Augusta.

O preto, vermelho e o azul predominam na maioria das cenas, A relação de Mika com o preto traz pra si a todo momento a relação com o seu passado, o presente cheio de mistérios e o futuro que tudo indica está cada vez mais sombrio. O vermelho anda junto com a boate Hell, é ali onde todo o inferno astral dos personagens se inicia, é ali que os conflitos ganham cada vez mais forças para um final que tem tudo para ser sangrento. O azul é que traz o equilíbrio entre os núcleos, é o momento em que todo o inferno que os personagens estão vivendo é esquecido por hora.

 

6 – Fiorella Mattheis, Pathy Dejesus e Milhem Cortaz

Esse trio está impossível, atuações memoráveis dignas de aplausos, cada qual com seus personagens e suas características,

Fiorella Mattheis é um mistério em forma de personagem – propositalmente, suas expressões mudam conforme as relações com outros personagens, e ela faz isso muito bem. Em vários momentos temos a sensação de que queremos entrar em seu subconsciente e entender o que está passando naquela cabeça.

Pathy Dejesus – Personagem complexa e conflituosa, Nicole é interessante, não quer beijar nenhum homem, mas o fato acaba acontecendo e ela se apaixona pelo jornalista Emilio, sujeito que apareceu no lugar errado e na hora errada, ela cede, mas o que vemos a seguir é um jogo de mistérios em que ela luta contra o seu coração, sua personalidade está sempre em constante mudança.

Milhem Cortaz – Como é bom ver esse ator em cena, acompanho seu trabalho há muito tempo, acredito que pra muitos ele estourou após seu papel em Tropa de Elite, mas não. Em tudo que ele faz, ele arrebenta, para cada personagem, ele cria um trejeito, e aqui não é diferente, fazendo o papel do chefe de segurança da Augusta, se mete em vários problemas, seu relacionamento com Babete é conturbado, homossexual não assumido e violento ao extremo, Milhem brinca em cena e entrega umas das atuações mais memoráveis de sua carreira.

 

7 – Dinamismo e tempo de duração dos episódios

Durando apenas 30 minutos por episódio, o ritmo aqui é rápido, dinâmico e bastante envolvente, não há espaço para enrolações, ou aquele enorme espaço dado para as cenas de choradeiras, aqui tudo é rápido e sem prejudicar o roteiro e a história. A dinâmica que já é vista no primeiro episódio faz com que a série não demore pra engrenar e é na mesma velocidade que você quer que inicie logo o próximo e o próximo episódio – a primeira temporada termina com vários ganchos, deixando, o que anima mais ainda, com a sensação de que a próxima temporada ainda tem muita coisa boa a oferecer.

 

Nota:

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
Avaliação dos Visitantes do site
[Total: 7 Média: 3.9]

CONTEÚDO RELACIONADOS

Compartilhe

Publicitário, Designer e Crítico de Cinema. É obcecado por monstros gigantes e, talvez, o ser que mais assistiu Breaking Bad neste planeta. Raulseixista desde a infância, hiberna uma vez por ano nos alpes de Itapira, ouvindo 12 horas interrupta do Maluco Beleza