A Maldição da Casa Winchester | Crítica

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Definitivamente filmes de casas mal-assombradas é um dos melhores subgêneros do terror! Sobretudo quando a história é baseada em fatos reais. Mais interessante ainda quando o roteiro não é cheio de buracos e clichês cansativos. Este é o caso de A Maldição da Casa Winchester que estreia em 22 de março nos cinemas.

A mansão em estilo vitoriano localizada no 525 South Winchester Boulevard em San Jose, Califórnia, existe até hoje e começou a ser construída em 1884. Tudo começou quando de Sarah Winchester, a viúva do magnata das armas, William Wirt Winchester, se mudou para a propriedade após a morte do marido. Algum tempo depois surgiram as acusações de que o local era mal-assombrado e logo se criou a hipótese de que os fantasmas seriam de mortos pelas armas fabricadas pela família. A partir disso Sarah começou a ampliar a casa sem interrupção até sua morte em 5 de Setembro de 1922.

Sem qualquer plano de construção ou orientação de arquitetos, a casa foi sendo ampliada até ficar com 160 cômodos distribuídos por quatro andares. Isso porque um terremoto em 1906 destruiu boa parte da mansão. Após a morte da viúva a propriedade foi vendida em leilão para um investidor local e posteriormente protegida pelo Registro Nacional de Lugares Históricos, tornando-se então uma atração turística.

A trama narrada em A Maldição da Casa Winchester se mantém bastante fiel à história real, acrescentando alguns elementos sobrenaturais para dar o tom de mistério ao filme. Mesmo considerada incapaz de se manter à frente da Companhia Winchester, Sarah (Helen Mirren) ainda tenta modificar a atuação da empresa para se livrar do que ela considera ser uma maldição causada pela venda de rifles. A fim de impedi-la, alguns diretores decidem contratar o psiquiatra Eric Price (Jason Clarke), de profissionalismo questionável e por isso mesmo manipulável. Dessa forma o médico que vive em frangalhos desde a morte de sua esposa Ruby (Laura Brent), terá de passar alguns dias na mansão analisando a sanidade da viúva. Sem saber se pode contar com a ajuda da sobrinha e secretária particular Marian Marriott (Sarah Snook) e seu filho misterioso, todos terão que lidar com Ben Block (Eamon Farren), o espírito mais perigoso que assombra a casa.

A partir desse plot os Roteiristas e Diretores Peter e Michael Spierig conseguem desenrolar uma boa história que intercala sustos frequentes com fatos históricos que vão construindo uma trama consistente. A fim de conectar o lado sobrenatural, os realizadores se utilizaram de elementos como mediunidade e conexões familiares. Ainda que não sejam explicações científicas, acabam sendo justificativas coerentes para dar um toque de realidade à narrativa. A Fotografia de Ben Nott faz referências a filmes de terror de diversas épocas. Embora isso não tenha um propósito narrativo, acaba enriquecendo bastante a intenção de criar um clima realista para o filme.

Infelizmente nem tudo funciona bem em A Maldição da Casa Winchester. Se por um lado as premissas do roteiro e a fotografia são bem caprichadas, por outro lado faltou empenho na direção e atuação do elenco. A Direção é preguiçosa, se preocupando muito mais com posição de câmeras do que com desempenho dos atores. Estes, por sua vez, são todos apáticos e sem expressão, inclusive Helen Mirren que tem uma carreira premiada.

No final das contas, mesmo com um elenco apático, A Maldição da Casa Winchester vale o ingresso para tomar alguns bons sustos e compreender melhor a lenda que se criou em torno dessa que é considerada uma das casas mais mal-assombradas dos EUA.

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Tercio Strutzel ama histórias, seja no cinema, séries, livros ou quadrinhos! Foi editor do fanzine Paralelo, mas hoje quase não consegue desenhar. Se especializou em Presença Digital, mas tem diversos projetos fervilhando na mente. Está sempre em busca de atividades culturais por São Paulo.