Crítica | Amigos Para Sempre – Versão americana de Intocáveis é mais didático ao explicar os acontecimentos

Em 2012, o filme francês Intocáveis, baseado no livro autobiográfico de Philippe Pozzo di Borgo, conquistou o mundo com a história de um milionário que fica tetraplégico e cria uma profunda e verdadeira amizade com um de seus cuidadores. O sucesso foi tanto que o longa arrecadou US$ 430 milhões e recebeu 7 indicações ao prêmio César – equivalente ao Oscar francês. Para quem não viu ou quer rever a narrativa com novas nuances, agora pode assistir nos cinemas brasileiros Amigos Para Sempre, a versão americana do cult.

Com direção de Neil Burger, o novo filme não difere muito do original, principalmente em sua essência. Apesar da mudança do nome, justamente para afastar comparações, Amigos Para Sempre é bem parecido com Intocáveis e não traz surpresas, a não ser um toque ali, outro aqui.

Bryan Cranston e Kevin Hart – David Lee/Photographer

O filme conta a história de Philip (Bryan Cranston), um homem rico que fica tetraplégico, após sofrer um grave acidente. Apesar de ter muito dinheiro, ele não pode reverter a situação e depende dos outros para realizar todas as tarefas do dia a dia. Isso o deixa deprimido e sem vontade de viver, tanto que é contra qualquer tipo de reanimação, caso sofra algum problema de saúde.

Até que um dia, Dell (Kevin Hart), um homem com registro criminal e que não tem nenhuma experiência com enfermagem, aparece na casa do milionário para participar de uma entrevista para o cargo de cuidador de Philip. Apesar de ser o candidato menos capacitado e não estar nem um pouco afim daquele trabalho, Dell é escolhido para o emprego, apesar dos protestos da fiel assistente Yvonne, interpretada por Nicole Kidman.

Kevin Hart e Bryan Cranston – David Lee/Photographer

Amizade improvável

Não demora praticamente nada para Dell mostrar que, aparentemente, ele não tem habilidade para ser um cuidador. Mas Philip gosta da sinceridade do novo cuidados e, principalmente do fato de que, finalmente, alguém não o trata com pena.

Aos poucos, as diferenças entre Dell e Philip, que antes pareciam ser uma barreira, tornam-se um motivo de aproximação. Um aprende com o outro como lidar com as dificuldades que a vida apresenta para ambos.

Amigos Para Sempre traz muitas cenas com diálogos engraçados, oferecendo um humor sutil e refinado. Nas cenas mais comoventes, a delicadeza também se faz presente, já que o diretor optou em não carregar no melodrama, o que seria uma saída fácil devido ao tema.

Nicole Kidman e Bryan Cranston – David Lee/Photographer

Vale destacar a sintonia entre os personagens principais. A química entre Kevin Hart e Bryan Cranston funciona bem e faz o filme convencer, da mesma maneira que em Intocáveis, as atuações de Omar Sy  e François Cluzet foram importantíssimos para o sucesso do longa francês.

Nicole Kidman tem um papel coadjuvante e sua personagem poderia ser explorada com mais profundidade. Pouco se sabe de sua história e a sensação é de que ela está lá para um único propósito, que é revelado no final (apesar de óbvio).

Amigos Para Sempre não decepciona quem assistiu à versão original francesa. Têm muitas semelhanças entre os dois, algumas diferenças, mas o longa americano é mais didático em explicar os acontecimentos. É um filme leve, que não provoca necessariamente lágrimas, isso depende da entrega emocional de cada um. Uma ótima opção para quem quer uma sessão para se distrair e sair mais leve do cinema.

 

 

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