Crítica: Entre piadas e explosões, Aquaman diverte e constrange na mesma proporção

Dirigido por James Wan (Invocação do Mal, Velozes e Furiosos 7) o mais recente filme solo de um dos grandes heróis do panteão da DC, Aquaman chega aos cinemas protagonizado mais uma vez por Jason Momoa com muita ação, explosões em câmera lenta e muita, mas muitas frases de efeito constrangedoras.

Durante uma tempestade, o Faroleiro Tom Curry encontra uma mulher desfalecida na encosta do mar, ela é nada mais nada menos que Atlanta, rainha de Atlântida que fugiu de um casamento forçado e se feriu gravemente na fuga, um encontro entre a rainha dos mares e um simples homem da superfície, um amor impossível que resulta no nascimento de Arthur Curry e na perda de sua mãe que se sacrifica para garantir sua segurança. Após um incidente, os atlantes decidem entrar em guerra com o reino da superfície e cabe ao teimoso e fanfarrão Aquaman impedir essa catástrofe.

Uma coisa é fato, James Wan  sabe muito bem onde colocar sua câmera e para onde seguir com ela, as cenas de luta, seja em terra ou em mar são imersivas e conseguem imprimir um senso de profundidade e dinamismo com criatividade entre planos, sempre próximos e evidenciando exatamente o que é importante na cena, como a cena de Nicole Kidman com seu tridente, a câmera segue o garfo e sua algoz envolta por seus oponentes, direciona habilmente seus impactos, consegue diferenciar o plano principal dos espaços coadjuvantes e criar cenas de luta muito parecidas com vídeo games como Assassins Creed ou God of War.

O que se pode dizer do trabalho de direção, infelizmente falta em roteiro, Aquaman se repete num padrão totalmente desnecessário:

Diálogo épico + Explosão + Cena de Luta + Diálogo épico + Explosão + Cena de Luta + Diálogo épico + Explosão + Cena de Luta

 

O roteiro tinha boas opções, acompanhada de uma montagem muito bem elaborada que recorta passado e futuro num filme que se passa após os eventos de Liga da Justiça, temos Arthur consolidado como potência na luta contra a injustiça mas ainda renegando seu legado de Rei dos Mares, ao mesmo tempo em que somos apresentados pouco a pouco aos fragmentos de sua infância, seu contato com seus dons e seus aliados aquáticos.

O desperdício está no desenvolvimento das relações ou melhor dizendo, no tempo dedicado a eles, cortassem pelo menos duas explosões “surpresas” e talvez sobrasse tempo para estabelecer algo crível entre Arthur e Mera, protagonistas, escapistas e exploradores.

Na tentativa de referenciar as HQ´s, Aquaman introduz seu primeiro vilão, o Arraia Negra, correndo um sério risco de comprometer a imagem de seu herói, Aquaman contribui para criar um antagonista com motivações claras e precisas, mas não aproveita do elemento como deveria e reduz a participação do vilão a apenas uma cena de ação confusa, gratuita e que leva o filme mais um vez em outra direção sem qualquer função ou valor, um elo bem construído mas descartável, que ainda pode ter grande utilidade no futuro.

Aliás, Aquaman consegue ser muitos filmes em um, sua construção base é a de Rei Arthur e sua Excalibur (Tridente) seguindo o caminho do trono, mas ele vai além, em determinado momento se volta para um filme de exploração aventureiro que muito faz lembrar Indiana Jones ou mesmo Os Caçadores de Tesouros, no mar temos de Star Wars com suas naves a Circulo de Fogo em suas criaturas majestosas, uma lambança de ideias com o intuito de gerar muitas conclusões climáticas que reafirmam minuto a minuto o poder de seus protagonistas fodões.

Momoa parece estar confortável e se divertindo bastante no papel, o grandalhão consegue transmitir seu carisma já característico com muito humor ao mesmo tempo em que precisa representar o poder, uma transformação convincente e competente no exato momento do uniforme brilhoso, ali temos outro Momoa, ali temos o Aquaman, o rei, o herói. Se Momoa brilha, muito deve ser atribuído a Amber Heard, que vai além do papel da mocinha indefesa, ainda que caia no clichê sempre que conveniente, a ruiva bota pra quebrar e faz jus a seu Co protagonismo , o mesmo não pode se dizer da construção de seus sentimentos por Arthur, por falta de roteiro, não de atuação.

Patrick Wilson se sai bem em seu papel de antagonista, uma atuação que convence em seus dois pontos, do poderoso e egocêntrico ao ressentido e vingativo, do orgulho a fraqueza, uma atuação perfeita, prejudicada apenas por alguns diálogos.

Aquaman tem boas intenções, capricha na direção, concebe momentos verdadeiramente épicos e visualmente deslumbrantes, mas escorrega num roteiro indeciso, diálogos constrangedores, efeitos visuais falhos e uma trama repetitiva e previsível, ainda assim, uma luz junto a Mulher Maravilha que assegura que o universo DC criado pela Warner para o cinema continue em produção apesar de seus tropeções e Martas que conflitaram com seu grande público, divirta-se.

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
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Apenas um homem que faz tudo pela "família", Publicitário, crítico de Cinema e fundador do Cinéfilos Anônimos, bom em fazer propostas irrecusáveis e Lasanhas bolonhesa.