Crítica | Buscando… é inteligente, inovador e surpreende com ótimas reviravoltas

Em uma nova maneira de contar história, Buscando… se destaca pelos ótimos plot twists na narrativa. No estilo “Amizade desfeita” (2014) e “Noah” (2013), a trama é contada através de diversas telas: sites de busca, Facetime, Messenger, Facebook, Youcast etc.

No início vemos David Kin (John Cho) em um vídeo com sua esposa e filha Margot (Michelle La). Primeiramente a história é contada através de um computador com sistema operacional Windows XP. (Por ser um sistema antigo, é possível identificar o tempo diegético da narrativa). Enquanto os programas se abrem e fecham por meio de fotos no hospital, e-mails da Dra. e calendários de visita ao médico, sabemos que a esposa de David teve um câncer e não resistiu. A passagem de tempo da infância para a adolescência de Margot é representada pela troca de sistema operacional – de Windows XP para IOS – e pelas datas identificadas na área de trabalho. Todas as ações do filme é muito bem contada e as telas são as riquezas da linguagem audiovisual.

Após a morte da esposa, David mantém um relacionamento tranquilo com a filha, que aparentemente é doce, obediente e sem segredos. A história de investigação começa quando Margot desaparece depois de ir para a casa de um colega da escola para fazer um trabalho em grupo. A situação repercute em todos os jornais e David tenta encontrar sua filha auxiliando a detetive Rosemary Vick (Debra Messing), investigadora do caso.

O mais interessante em todo filme é que no desenrolar da trama ficamos nos perguntando: como será que a próxima cena será contada? Qual será o próximo aplicativo? Como encontrar alguém com “evidências” de um computador? Como vão mostrar onde ela foi? David vai levar o computador? Por incrível que pareça, o roteirista e diretor Aneesh Chagant resolve todos os pontos e melhor do que o espectador poderia imaginar.

A investigação nos surpreende pelas ótimas reviravoltas e tensões deixadas por cada pista de onde Margot poderia estar. Quando imaginamos que poderia acontecer algo, a narrativa inova.

John Cho está brilhante na atuação assim como Debra, a detetive. Cho é versátil em seu personagem encenando diversas variações de humor. Em momentos David é agressivo e em outros é desesperado, impaciente etc.

A importância de Buscando… está na linguagem audiovisual e na ótima história para um filme screen life. (Segundo Timur Bekmambetov, produtor de Buscando…, screen life é um gênero que ele mesmo nomeou para relacionar filmes em que a narrativa é contada através de telas de computadores e smartphones). Como espectadores sentimos o impacto das emoções de David ao pesquisar tudo sobre sua filha através das telas e, de um certo modo, nos tornamos empáticos à situação do protagonista e imersivos na narrativa.

Vale dizer que Buscando… nos prende do início ao fim e está na lista dos filmes bem avaliados pela critica neste ano (2018). Se você gosta de bons filmes sobre investigação, sem clichês, vai se surpreender com esta produção inteligente e atual.

Obs: A distribuidora do filme aqui no Brasil, Sony Pictures, teve o incrível trabalho de traduzir todos os  textos das telas para o nosso idioma e o resultado para o espectador foi maravilhoso, principalmente pra quem irá assistir o filme legendado.

 

 

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Mestre em Comunicação e Produtora Musical. Fissurada no mundo Geek e apaixonada por adaptações de livros para cinema. Amante da música, cultura pop e cinema. Gosta tanto de contos de fadas que resolveu pesquisar 2 anos a história de Cinderela.