Crítica | Uma aventura espacial equilibrada e divertida, Capitã Marvel mostra a que veio

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Entre muitos acertos e alguns erros, Capitã Marvel surpreende no tom e na mensagem.

A heroína mais poderosa do Universo Marvel nos cinemas acaba de chegar, com uma história de origem que se encaixe no quebra-cabeça destes mais de 10 anos de universo e o faz com competência mas pouca coragem, investe na personagem mas não cria o conflito a sua altura e perde ótimas chances de explodir as telas das salas de cinema.

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Desmemoriada, a Capitã Vers sai em missões com a tropa Kree combatendo as invasões Scrulls pelo universo afora, até que após uma armadilha, a moça vai parar na Terra e se vê entre lembranças de seu passado e se reconhece em nosso planeta.

Capitã Marvel lembranças do passado

Capitã Marvel aposta nas referências, faz bom uso de seus personagens mais carismáticos, opta pelo tom da comédia entre os personagens, algo que me surpreendeu muito, visto o teor dos trailers e do marketing e surpreende pelo tom leve e descontraído que utiliza para contar mais esta história de origem.

A relação entre os personagens é dinâmica, fluída e cativante, personagens como Nick Fury descem alguns degraus do personagem atual para desempenhar um papel mais inocente e em caminho também de descobertas, este talvez seja o grande acerto do filme.

Lá vou eu falar o óbvio

Esse drama se arrasta pelos 10 anos de Marvel Studios, mas não temos como esquecer o valor que se perde ao tratar todos os filmes como meros capítulos para um filme maior, essa relação de dependência prejudica o desenvolvimento das tramas, que não podem ser nem demais nem de menos para não afetar o próximo filme ou perder relação com o anterior, quando falta roteiro entra o easter egg, gracinhas que funcionam mas que já cansaram também, dona Marvel. Você paga para ver Capitã Marvel e recebe o pedacinho de Vingadores Ultimato que te falta.

Apesar da montagem intercalar entre momentos e nos confundir propositalmente para que os mistérios vão fazendo sentido aos poucos, Capitã Marvel sofre principalmente com seu ritmo, que ganha uma pressa desnecessária a partir do meio do segundo ato, o roteiro se esvai e a direção não consegue acompanhar o impacto da evolução de sua heroína, preocupando-se em mostrar ligações entre filmes e sempre reforçando o tom de tranquilidade e humor, algo complicado já que estamos casando urgência e tranquilidade ao mesmo tempo.

A nostalgia da aventura

Capitã Marvel e homem de ferro

Por vários momentos passeei pela minha memória e comprei a aventura de Capitã Marvel, toda caçada espacial junto ao clima de perseguição e corridas de naves me levaram diretamente para os melhores momentos da infância assistindo Star Wars, vendo as manobras ousadas de Han Solo com a Millennium Falcon e me recordei também do primeiro Jornada nas Estrelas desta última geração, com Chris Pine, essa mistura de Guardiões da Galáxia com Homem de Ferro 2 garante um tom entre a urgência e o debochado, algo realmente gostoso de assistir.

Deixem as minas resolverem

Capitã Marvel e Brie Larson

Se você é um rapazote em busca de um decote, um take nada discreto no bumbum ou vislumbres provocantes como feitos antes com a Viúva Negra de Scarlett Johansonn nos primeiros filmes da Marvel, esqueça, este filme não é para você, este é um filme delas para elas, com respeito, força e muita coragem, um filme que não precisa provar nada para ninguém.

E por falar em respeito, uma nota vale ser adicionada aqui, a fotografia do filme consegue ser um elemento a parte, planos como o contra plongée, ou seja, câmera de baixo para cima, são muito utilizados aqui para engrandecer a personagem em diversos momentos, planos fechados detalham uniformes e reações sem fazer questão alguma de exibir qualquer traço de sensualidade usual do cinema, a mensagem é clara, nos mínimos detalhes.

Bruta, Poderosa e Decidida

Carol Danvers em capitã Marvel

Carol Danvers não deixa barato, bate e apanha na mesma moeda, parruda, sensível, casca grossa e sensata, uma personagem que lida com questões próprias e ao mesmo tempo com o fato de domar seu poder sem se dar o desfrute de conhecer seus limites.

Brie Larson não brilha no papel, mas o faz de forma competente e crescente, parece estar se acostumando com a personagem, mas nos momentos precisos, principalmente no sarcasmo e interação com outros personagens a atuação cativa, Brie consegue ser “badass” nos momentos mais triviais, encorpa a postura militar de Danvers e não deixa se intimidar por nomes de peso como Sam Jackson, ao contrário, a troca entre os dois é uma das coisas mais simpáticas do filme, com Jackson cedendo seu personagem como coadjuvante, alivio cômico e auxilio da protagonista, uma relação digna de um grande ator mas que descaracteriza totalmente o personagem que acompanhamos nestes onze anos, surreal.

Ainda temos Maria Rambeau, sua melhor amiga num papel equivalente a força de sua protagonista em garra e história, duas mulheres se provando num mundo masculino que as subestimou, desde a infância, na adolescência e na academia militar, sempre tendo que provar o dobro para chegar na metade, mas sempre com a cabeça erguida e mostrando poder e a determinação da mulher. Aliás, a escolha de Mar vell ser uma mulher é muito interessante pois fecha o arco envolta da linhagem dos poderes e de toda a trama ser consequência de ações femininas, a inteligência, os punhos, as habilidades e o carisma de Capitã Marvel estão na naturalidade com que a história enaltece suas heroínas.

O Vilão

Capitã Marvel e o Vilão

O vilão interpretado por Ben Mendelsohn é interessante, mas como costume, não tem espaço suficiente para ser desenvolvido, mas é relevante e junto com um belo trabalho de maquiagem e CDI compõe um Scrull perfeito e com motivações a serem descobertas..

Enfim

Com um roteiro previsível, uma qualidade visual incrível que poucas vezes experimentei, vale o 3D, com seus personagens cativantes e um tom descontraído.

Capitã Marvel é menos Épico e mais Aventureiro, perde ótimas chances de mostrar sua força por puras escolhas de Montagem e Direção, mas talvez este nem seja o seu caminho e nem precise provar nada a ninguém, este é o nascimento daquela que não lutará as nossas guerras, acabará com elas.

 

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
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[Total: 5 Média: 4.2]

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Apenas um homem que faz tudo pela "família", Publicitário, crítico de Cinema e fundador do Cinéfilos Anônimos, bom em fazer propostas irrecusáveis e Lasanhas bolonhesa.