Carros 3 | Crítica

Relâmpago McQueen e Cruz Ramirez não derrapam e franquia ainda sobrevive

O terceiro filme da franquia está longe de ser melhor que o primeiro, mas é nítido que superou com facilidade o segundo – talvez o maior mérito de Carros 3 seja a sua coragem de inovar, entender que campeões envelhecem e que novas gerações aparecem superando os ídolos, até mesmo para o maior campeão das pistas como o Relâmpago McQueen, o que deixa o filme com uma carga dramática maior que suas edições anteriores, e assim, diminuído a quantidade de momentos engraçados para dar espaços as mensagens motivacionais, crenças e principalmente levar a difícil decisão de “é hora de parar?” para um público que, com certeza, está longe de começar a pensar nisso.

Relâmpago McQueen seguia como o grande campeão das pistas até que em seu encalce aparace a jovem revelação nas corridas, o Jackson Storm, e aos poucos Storm começa a ganhar as disputas em cima de McQueen até que, um grave acidente acontece com o campeão, o que faz ele ficar de fora das próximas disputas e, com isso, passa os dias desanimado e enfrentando as críticas da imprensa que o colocam em xeque-mate sobre a sua capacidade de dar a volta por cima, insinuando se já não é hora de parar.

A partir desse momento, o filme ganha contornos mais dramáticos, McQueen aparece sem cor, sentindo-se velho e obsoleto e decide que realmente é hora de se aposentar, mas seus amigos o convencem a voltar e Relâmpago aceita realizar os novos modelos de treinamentos. Nesse meio termo, ele conhece sua nova treinadora, a divertidíssima Cruz Ramirez, personagem que tem como dubladora a Giovanna Ewbank, e a química entre ela e a personagem funcionam perfeitamente.

A presença da personagem Cruz Ramires, traz para o longa mensagens positivas e de perseveranças e uma grande amizade entre eles começa a surgir, o que significará uma grande reviravolta na história deles durante o filme e talvez até no rumo da sequência da franquia, assim como o próprio roteiro coloca em discussão sobre o momento de parar, o arco final da animação indica que eles (produtores) também estão seriamente pensando nisso e sobre o futuro de McQueen dentro da franquia e, ao mesmo tempo, nos passando uma lição de que o fim não existe, o que existe são as mudanças, elas são reais e difíceis de serem aceitas, mas que estamos todos aptos a enfrentá-las.

Visualmente a animação é impressionante, algumas cenas de corridas beiram o realismo, novos ambientes são adicionados na franquia e todos continuam bonitos, o que torna a experiência em Carros 3 melhor ainda. O ponto negativo fica para a trilha sonora, que é inexpressiva e não acompanha com firmeza os vários momentos de tensão que existe na animação.

Carros 3 de fato tem toda a qualidade da Pixar, pode não estar entre os melhores já produzidos pelo estúdio, mas é um filme que não derrapa em momento algum dentro de suas propostas e traz temas mais sérios que os anteriores, além de apresentar uma nova personagem que, sem dúvida, já estamos querendo ver um pouco mais dela.

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
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[Total: 5 Média: 3.8]

Publicitário, Designer e Crítico de Cinema. É obcecado por monstros gigantes e, talvez, o ser que mais assistiu Breaking Bad neste planeta. Raulseixista desde a infância, hiberna uma vez por ano nos alpes de Itapira, ouvindo 12 horas interrupta do Maluco Beleza