Colossal | Crítica

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A grata surpresa da história de uma heroína complexa e o monstro gigante 

 

Em um lado do planeta está Glória, uma mulher já com seus trinta anos, desempregada, festeira, alcoólatra, enfim, cheia de problemas típicos – do lado oposto do mundo de Glória está a cidade de Seul, Coreia do Sul, local que se vê atacado por um monstro gigantesco que, inexplicavelmente, aparece por um minuto, sempre no mesmo horário e local, assim, assustando a todos que moram na região. E sabe o melhor de tudo isso? É que a garota trintona tem uma ligação mental e deliciosamente bizarra com o tal monstro gigante – esse ser enorme, de alguma forma, é controlado pelas atitudes da moça, assim copiando seus movimentos e trejeitos. Todos esses estranhos ingredientes colocam Colossal como uma das mais gostosas e bizarras surpresas do ano.

Em meio a tantos remakes e reboots que estamos presenciando, Nacho Vigalondo, diretor e roteirista do filme, traz algo diferente e fora da caixinha, no que diz a respeito de filmes de feras gigantes, onde normalmente as feras se tornam primeiro plano das histórias, mas em seu roteiro, o monstro fica em segundo plano, na verdade, ele se torna uma analogia para a luta interna de Glória, o que faz levar o espectador a fantasiar o tempo todo e se remoer para saber que caminho tudo isso vai levar.

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Alcoolismo, desemprego, chantagens e três homens de índole distintas, mas todos com um quê de machismo, estão no encalço de Glória – as várias cenas no interior de sua casa quase sem mobília alguma, mostram o quão vazia está a vida da personagem, interpretada genialmente por Anne Hathaway, a atriz tem uma capacidade do tamanho de seu monstro de adaptar seus personagens de acordo com as exigências que cada trama pede.

Com tudo isso, Glória descobre que inconscientemente controla as ações da fera gigante que está em Seul, e percebe também que o álcool está destruindo sua vida e decide lutar contra o vício, já que o vício poderá fazer com que ela mate centenas ou milhares de pessoas, caso a bebida a faça cometer erros, ou mesmo a derrubar, já que o monstro a imita em tudo que faz e se ela cair, a fera poderá derrubar suas milhares de toneladas sobre a metrópole – o diretor foi muito feliz em construir essa analogia ao promover o impacto que o vício pode causar na vida da pessoa e nas que a cercam.

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É incrível como os dois mundos funcionam bem neste filme. Entre o drama privado e a catástrofe pública, há um aspecto dramalhão e cômico ao mesmo tempo. Esse casamento te coloca numa bifurcação em que você tem que se decidir se o que está vendo é um filme normal ou cheio de clichês, ou você irá optar pela outra direção e concluir que Colossal é uma película de monstro gigante diferente do que está acostumado a ver? Na boa, você irá decidir pela segunda opção e dizer “é um filmão da porra”.

Eu tenho problemas com filme que tenham monstros gigantes, tenho uma capacidade enorme de GOSTAR deles facilmente, mesmo sendo ruim (aliás, o ruim parece ser sempre bom, nesses casos), mas Colossal, além de ter esse ingrediente peculiar que faz com que eu salive facilmente, tem ótimas ideias, tem propósitos diferente, não está aqui para ser mais um blockbuster, tem cara de cinema independente, o roteiro te leva por caminhos inimagináveis e faz você fantasiar a todo momento. Hathaway torna-se a nossa heroína preferida ao entender o seu próprio monstro e lutar pelos problemas que a cercam, já o filme, é uma das grandes surpresas do cinema em 2017.

 

Trailer:

 

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Publicitário, Designer e Crítico de Cinema. É obcecado por monstros gigantes e, talvez, o ser que mais assistiu Breaking Bad neste planeta. Raulseixista desde a infância, hiberna uma vez por ano nos alpes de Itapira, ouvindo 12 horas interrupta do Maluco Beleza