Com Amor, Van Gogh | Crítica

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Do ponto de vista artístico Vincent Van Gogh foi mais um daqueles pintores incompreendidos em seu tempo, tendo sido valorizado postumamente. Ele compartilhava das opiniões de artistas como Paul Cézanne, Paul Gauguin que discordavam do Impressionismo, porém não chegou a aderir a alguma escola ou movimento formal no mundo das artes. Após a morte de Van Gogh, seus trabalhos foram considerados de forte influência para o surgimento do Expressionismo.

Este movimento artístico e cultural de vanguarda surgido na Alemanha no início do século XX tinha como característica, entre outras tantas, uma nova forma de entender a arte, propondo uma arte pessoal e intuitiva, onde predominasse a visão interior do artista – a “expressão” – em oposição à mera observação da realidade – a “impressão”. A principal forma de manifestar essa visão subjetiva foi a utilização de uma paleta cromática vincada e agressiva. Além de expressar sentimentos com mais intensidade, havia ainda a preocupação em perceber as diversas percepções da cor sob variações de luz.

Esse pequeno parágrafo que resume o movimento artístico associado a Vincent é de suma importância para compreender o conceito do longa Com Amor, Van Gogh. A animação concebida pelos Diretores e Roteiristas Hugh Welchman e Dorota Kobiela foi realizada através de quase 65.000 quadros pintados a óleo manualmente por 125 artistas profissionais. Dessa forma foi produzida uma biografia do artista a partir da própria representação do mundo do artista, utilizando seu estilo e mesmo suas obras para constituir o design dos personagens e o estilo dos cenários do filme.

A trama é razoavelmente simples e soa mais como um documentário do que umanarrativa. ano após o suicídio de Vincent Van Gogh, Armand Roulin (Douglas Booth) encontra uma carta do artista enviada ao irmão Theo, que jamais chegou ao seu destino. Após conversar com o pai, carteiro que era amigo pessoal de Van Gogh, Armand é incentivado a entregar ele mesmo a correspondência. Desta forma, ele parte para a cidade francesa de Arles na esperança de encontrar algum contato com a família do pintor falecido. Lá, inicia uma investigação junto às pessoas que conheceram Van Gogh, no intuito de decifrar se ele realmente se matou. A cada entrevista o jovem vai descobrindo detalhes e curiosidades a respeito da vida de excessos do pintor expressionista.

A beleza da obra está em utilizar justamente dois aspectos muito característicos da arte de Van Gogh. Primeiramente as alterações de luz em diferentes períodos do dia conforme a história se desenrola. Outro ponto é o “movimento” criado pela justaposição contínua dos frames (quadros) pintados um a um, os quais não se encaixam perfeitamente de forma proposital, provocando pequenas tremulações na animação. Além disso, ainda estão presentes a fase preto e branco do mestre, retratada nos flashbacks da história; bem como referências às suas célebres séries de flores, campos de trigo, pomares e ciprestes. O resultado final é simplesmente deslumbrante!

 

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[Total: 3 Média: 5]

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Tercio Strutzel ama histórias, seja no cinema, séries, livros ou quadrinhos! Foi editor do fanzine Paralelo, mas hoje quase não consegue desenhar. Se especializou em Presença Digital, mas tem diversos projetos fervilhando na mente. Está sempre em busca de atividades culturais por São Paulo.