Crítica: A Lavanderia escancara a sujeira que a corrupção tenta esconder.

Imagine, por exemplo, uma situação onde um casal de apostados curtindo a sua merecida melhor idade com seus amigos está passeando em um barco tranquilamente até que um acidente trágico acontece. Esse evento levou, tanto a empresa de turismo quanto parte dos turistas, ao acionamento de seus respectivos seguros. E como em qualquer prestação de serviços, existem aqueles que custam mais caro do que outros e outros ainda que são baratos demais, e foi pensando nesse clássico tema onde “o barato sai caro” é que a trama de A Lavanderia inicia.

Baseado em Corrupção Real.

O filme se basea na história de corrupção mais noticiada em 2006 que ficou conhecida como Panamá-Papers. Usando cenas que misturam no mesmo quadro, o tema principal e a conversa com o expectador como se os sócios do escritório de advocacia Mossack Fonseca estivem justificando seus atos, o diretor Steven Soderbergh conseguiu um verdadeiro dinamismo necessário para esclarecer essa história que poderia ter ficado pedante se atores menos experientes tivessem realizado a mesma quantidade de texto sem a mesma naturalidade.

Para garantir a qualidade esperada, Steven Soderbergh chamou um elenco tão astronômico quanto os números envolvidos pela corrupção da trama, encabeçado pela vencedora de três Oscars, Meryl Streep interpreta Elen Martin que é um exemplo na busca de seus direitos. O longa conta também com Antonio Banderas, indicado a quatro Globos de Ouro para viver Ramón Fonseca, e o também vencedor do Oscar Gary Oldman como Jürgen Mossack, sócios responsáveis pela movimentação da fortuna envolvendo empresas, políticos e quem precisasse de uma empresa de fachada para lavar todo o dinheiro sujo. Vem daí portanto, o título “A Lavanderia” mostrando um dos maiores esquemas de lavagem de dinheiro do mundo.

Os cuidados com a didática, separando o enredo em tópicos, ajudaram ao expectador a identificar o ciclo de vida completo da corrupção. E para deixar claro que muitas empresas não são aquilo que se apresenta, o filme nos permite também conhecer os bastidores da obra, os cenários usados em chroma key verde e holofotes, mostrando que grande parte do que vemos nos filmes são apenas efeitos especiais.

 

Tenha sempre um bom divertimento.

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Professor de exatas e músico baterista, sempre trabalhou com tecnologia como desenvolvedor. Leitor de quadrinhos de heróis e livros de ficção. Como fã da série Star Trek absorveu a lógica do Sr Spock e muito do comportamento social presente nos capitães das naves da Federação. Vida e longa e próspera a todos.