Crítica: A Madeline de Madeline é um laboratório tenso de teatro

Madeline faz parte de um grupo de teatro que busca aperfeiçoar a sensibilidade de cada ator sugerindo que cada um escolha um animal para interpretar. Ela às vezes encarna um gato, outras é uma tartaruga, mas sempre é a mesma Madeline. A metalinguagem está em ver a atriz Helena Howard interpretando Madeline, que também é uma jovem atriz e que usa as aulas de interpretação como uma forma de extravasar seus problemas pessoais.

Helena Howard é Madeline

Foco na primeira pessoa em Madeline

A escolha de imagens desfocadas próximas ao chão representando os animais que os alunos estavam representando causa uma certa agonia levemente claustrofóbica. Mas consegue prender muito bem a atenção e ajuda a mergulhar na cabeça da protagonista. Às vezes a cena fica longa o bastante dando a sensação do nível de exigência explorado pela professora de teatro.

Onde a aula termina

O dia-a-dia de um grupo de teatro tem algumas rotinas com vários exercícios para fortalecimento muscular e nesse grupo não é diferente. A instrutura de teatro valoriza muito quando a interpretação de seus alunos fica mais aprofundada. Mas nem sempre ela consegue identificar o quanto que se pode explorar, e corre o risco de ultrapassar limites delicados.

Nunca se sabe o que pode acontecer quando alguns limites são ultrapassados. Principalmente quando o nível de stress acumula muito por diversos motivos. Nesse instante não sabemos quando a aula passa a ser considerada uma terapia.

A música do filme é simples, mas funciona. Entretanto as cenas de dança em grupo e a estreia no cinema da jovem protagonista Helena Howard com sua entrega total são pontos altos do longa. As principais interações de Madeline ocorrem com sua professora de teatro Evangeline (Molly Parker) e com sua mãe Regina (Miranda July). Tudo ficou muito bem dirigido pela Josephine Decker.

 

O roteiro foca exclusivamente da experiência de Madeline, e por ser uma jovem com alguns problemas de socialização acaba sendo um filme de fácil associação com a maioria das pessoas pois todos nós já tivemos algum nível de conflito social na pós adolescência.

 

 

Filme visto na 42ª Mostra Internacional de Cinema de SP em Outubro de 2018.

 

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
Avaliação dos Visitantes do site
[Total: 0 Média: 0]

Professor de exatas e músico baterista, sempre trabalhou com tecnologia como desenvolvedor. Leitor de quadrinhos de heróis e livros de ficção. Como fã da série Star Trek absorveu a lógica do Sr Spock e muito do comportamento social presente nos capitães das naves da Federação. Vida e longa e próspera a todos.