Crítica: A Odisseia dos Tontos conta uma história de luta a qualquer custo por seus direitos.

Uma história que tinha tudo para ser trágica por ser baseada em um dos momentos mais delicados da história política e econômica da Argentina, se tornou uma ótima comédia cheia de aventura, suspense e significado de grupo. Assim como todos os argentinos em agosto de 2001, o protagonista narrador Fermín Perlassi interpretado por Ricardo Darín, vivia sem muitas preocupações e seguia trabalhando normalmente. Perlasse tinha um posto de gasolina e em certo momento ele viu uma oportunidade de fazer algo que ajudasse verdadeiramente aos agricultores locais. Pensou, portanto, em criar uma cooperativa e para isso precisaria contar com a ajuda financeira de vários amigos que fez durante a vida.

 

A Odisseia dos Tontos possui identificação com os brasileiros

Se você viveu no início dos anos 1990, deve lembrar que aqui no Brasil tivemos um presidente chamado Fernando Collor que logo nos primeiros dias de seu governo resolveu confiscar a poupança dos brasileiros, impedindo que ninguém efetuasse saques elevados fazendo com que milhares de famílias que haviam juntado suas economias para reformar uma casa, comprar um bem ou até mesmo para custear a saúde particular não conseguissem realizar seus objetivos por diversos anos.
Foi algo muito parecido com esse confisco que os argentinos conheceram em agosto de 2001, levando em conta as devidas proporções, e o drama da comédia está exatamente nesse momento histórico onde pessoas simples são enganados e passadas para trás como se fossem tontos. Até que eles encontram uma forma de tentar mudar essa história.

Roteiro adaptado de um livro

Com um roteiro baseado no livro “La Noche en la Usina” de Eduardo Sacheri, o diretor Sabastián Borensztein conseguiu reunir um time de campeões para fazer esse longa. Podemos destacar a trilha sonora tomada pelo rock latino e os efeitos sonoros que aumentavam a emoção da cena quando era necessário.
A atuação de todos no elenco merecem aplausos, o próprio Ricardo Darín que está a frente das principais decisões da trama, consegue imprimir raiva, tristeza, alegria e euforia, ao mesmo tempo em que passa uma serenidade para seus amigos que ajuda a todos a manter o foco no objetivo como um verdadeiro líder. E mesmo sendo a primeira vez que pai e filho contracenam em um filme, Chino Darín, que interpretou Rodrigo Perlassi, já mostrou que tem aproveitado muito bem essa vantagem de ter um mestre como Ricardo Darín dentro de casa todos os dias. Enfim, todo o trabalho de interpretação foi muito bem dirigido.

Ricardo e Chino Darín

Os efeitos e a divisão em atos.

Os efeitos especiais também ficaram perfeitos, com direito a mega explosões, capotamentos, e muita correria. Lembrando que a faixa etária dos amigos de Perlassi é bem elevada, o que torna qualquer aventura com senhores acima de 60 anos algo muito divertido de se ver.
O filme possui três atos bem definidos. Onde o primeiro mostra a busca de recursos para a construção da cooperativa. O segundo ato conta com a arquitetura do plano para recuperar os recursos confiscados. E o terceiro ato, que é bem mais curto, trata-se da execução do plano e das suas consequências.
É uma comédia para toda a família, super divertida, com o cuidado de se fazer rir pelo absurdo sem usar do velho pastelão como recurso.

 

Filme da 43a Mostra

Esse filme foi visto na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e tivemos a honra de ter a presença do diretor Sebastián Borensztein antes da sessão começar para conversar um pouco conosco. Nessa conversa ele informou que o longa já está em cartaz há algum tempo na Argentina e continua com força, até então não sabíamos nada do filme. E antes de sair para o início da sessão ele mostrou verdadeiro apoio ao novo presidente recém eleito da Argentina, chegando a pedir uma salva de palmas para Alberto Fernández.

Veja o link do filme na Mostra. Clique aqui.

 

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Trailer:

 

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Professor de exatas e músico baterista, sempre trabalhou com tecnologia como desenvolvedor. Leitor de quadrinhos de heróis e livros de ficção. Como fã da série Star Trek absorveu a lógica do Sr Spock e muito do comportamento social presente nos capitães das naves da Federação. Vida e longa e próspera a todos.