Crítica: A Vida Invisível é um recorte da sociedade dos anos de 1950.

Uma história linda de amor e saudade entre irmãs com estilos diferentes que viviam em uma tradicional família portuguesa no início dos anos 1950 morando no Rio de Janeiro. As discussões familiares que praticamente expulsaram a filha mais velha Guida (Julia Stockler), deixando Eurídice (Carol Duarte) sozinha com seus pais, e diversos problemas na tentativa de comunicação fizeram com que cada uma tivesse uma vida invisível para a outra.

Julia Stockler

Eurídice era uma ótima pianista, pacata e muito tímida. Sua irmã Guida era mais extrovertida, e não aceitava a vida simples e modesta que sua família lhe proporcionava. Sua rebeldia criaria atritos com seus pais ao ponto de passar a maior parte da sua vida distante de sua irmã e da sua família.

As fases de A Vida Invisível

Logo no início as habilidades de cada irmã, dos seus pais que vieram de Portugal e da sociedade carioca. Assim, podemos compreender melhor o contexto social onde tudo acontece. Em seguida a narrativa passa a ser focada na vida da pianista Eurídice que agora já estava casada com Antenor (Gregório Duvivier) mostrando as tentativas de Guida se comunicar com a irmã usando a personagem como narradora de suas próprias cartas. Já no último ato, Eurídice já estará com netos e é interpretada por Fernanda Montenegro.

Mudança de ritmo com a chegada da Fernanda Montenegro.

Fernanda Montenegro

A entrada da Fernanda Montenegro dá uma outra dinâmica para a trama. É fácil reconhecer o laboratório que todos os atores tiveram, mas em especial Carol Duarte e Fernanda Montenegro por interpretarem o mesmo personagem em épocas diferentes. Quando isso ocorre é preciso cuidar para que o ator mais experiente não perca as características que o mais jovem imprimiu no personagem. Mas aqui estamos falando da incomparável Fernanda Montenegro, ou seja, a semelhança com a jovem Carol Duarte impressiona.

 

Para pensar nas mudanças sociais.

Ótimas músicas fazem a trilha sonora desse filme. Mas um problema visível no filme é a ausência de cenas mostrando as mãos da pianista. Esse recurso pode ter sido utilizado pelo diretor Karim Aïnouz por achar melhor não mostrar as mãos ao piano garantindo a perfeita execução.

Ao comparar a sociedade atual com a apresentada no filme podemos levantar a discussão sobre as claras mudanças sociais que tivemos nas últimas décadas. Mudanças radicais nos meios de comunicação evitariam alguns problemas enfrentados por Guida e Eurídice.

 

Esse filme foi apresentado na 43a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Clique aqui e veja o site da Mostra.

 

 

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Professor de exatas e músico baterista, sempre trabalhou com tecnologia como desenvolvedor. Leitor de quadrinhos de heróis e livros de ficção. Como fã da série Star Trek absorveu a lógica do Sr Spock e muito do comportamento social presente nos capitães das naves da Federação. Vida e longa e próspera a todos.