Crítica | After, um drama que tenta ser romântico, mas não consegue

Baseado no romance de Anna Todd e dirigido por Jenny Gage, After retrata a história de Tessa Young (Josephine Langford), uma jovem de 18 anos que, aparentemente, é uma boa namorada e uma filha exemplar: não bebe, não apronta, é estudiosa e faz tudo o que sua mãe já planejou para a sua vida. Ao ingressar na faculdade, ela é apresentada ao mundo das festas através de sua colega de quarto, Steph (Khadijha Red Thunder). E logo conhece Hardin Scott (Hero Fiennes Tiffin), um garoto rebelde e misterioso, que desperta o interesse em Tessa.

Rapidamente, os dois começam a se aproximar. Mas quando Tessa começa a gostar dele, ela descobre que Hardin não passa de um bad boy que sai com várias meninas e não quer saber de namoro. No entanto, logo, os dois voltam a se falar e ele começa a demonstrar que com ela é “diferente”. Assim, eles iniciam um romance que parecia perfeito e a garota que era toda certinha, agora, está bem mais liberal.

Mas, peraí, e o namorado fofo dela? Ahh, sim… Noah (Dylan Arnold) ainda existe. Inclusive, ele foi lá no campus fazer uma surpresa, que ela parece não ter gostado muito. E, quando eles estão na cama dormindo, ela dá uma fugidinha e vai se encontrar com Hardin, que a trata mal, e depois pede desculpas a ela e ela acaba dormindo lá com ele (fácil desse jeito). Na manhã seguinte, Tessa volta ao seu quarto e Hardin vai atrás e seu namorado descobre que os dois estavam juntos a noite toda. (E nós ainda temos que torcer pra ela ficar com Hardin?!)

Tessa se sente como se ela fosse realmente especial para Hardin a ponto de ele mudar por ela. E, por um momento, até pensamos que ele estivesse mudando, até descobrirmos o segredo por trás de tudo, que é revelado para Tessa no final do filme, e é realmente tenso e inesperado. E aí você pensa, agora é uma boa hora para a Tessa amadurecer e esquecê-lo de vez. Lamento dizer que, apesar de não mostrar isso no longa, já dá pra perceber que ela irá perdoá-lo no próximo filme.

Eu não cheguei a ler o livro, mas pelas resenhas que li a respeito, vi que, no livro, Hardin parece tratá-la ainda pior e Tessa parece compreender facilmente, aceitar suas desculpas e até ir atrás dele. Então, eu fico me perguntando: como, diabos, uma mulher consegue escrever um livro como esse, romanceando esse relacionamento abusivo, como se fosse normal de aceitar isso? E o livro ainda se torna um dos best-sellers mais famosos e queridos do mundo entre os adolescentes, dando origem a outros livros.

Mas, ok. Voltando ao filme… No decorrer da história vemos que Hardin age dessa forma, fria e insensível, pelo fato de o pai dele ter sido um alcoólatra na sua fase infantil e pré-adolescente. Mas, obviamente, isso não é razão para tratar alguém mal e depois agir como se nada tivesse acontecido.

Em suma, After já começa errado ao tentar fazer o espectador gostar de um personagem babaca, que faz besteira e depois pede desculpa e está tudo certo, e de uma personagem que trai seu namorado bonzinho e o troca por esse mesmo babaca. O filme também dá a entender que qualquer comportamento ruim de uma pessoa em relação à outra é justificável e pode ser perdoado, principalmente quando a pessoa diz que te ama, e isso não é nada legal.

Por outro lado, o longa tem uma fotografia muito bonita e a direção de arte, no geral, faz um bom trabalho. Acredito que, para quem leu os livros de Anna Todd e gostou, pode ser uma boa experiência ir conferir o filme. Mas para quem espera por uma história romântica e fofinha, vai se decepcionar.

Confira o trailer de After:

 

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Jornalista e paulistana, apaixonada por São Paulo e por toda a cultura e o lazer que esta cidade oferece. Desde pequena admirada pela sétima arte e fascinada por sua evolução e sua influência na vida das pessoas das mais diversas culturas e classes sociais.