Crítica: As Veias do Mundo, traz o tema da exploração do meio ambiente pelas mineradoras.

Quando tudo parecia bem na família de Amra (Bat-Ireedui Batmunkh), um jovem de 11 anos das estepes da Mongólia, uma tragédia acontece e transforma a vida de Amra completamente. Seu pai era um exemplo de luta contra as mineradoras que exploram o meio ambiente até não poderem mais. E essa é a mensagem que o filme deixa estampada no enredo. A exploração sem limites das mineradoras no país com a maior produção do mundo ganha um ponto de atenção e torna o assunto mundialmente conhecido.

Como resistir à indústria que explora os recursos naturais infinitamente?

Amra mora em um vilarejo de economia de subexistência. Sua família cria cabras e vende o leite e o queijo para se sustentar. Todos da região já sabem que a indústria mineradora vem avançando a cada dia, e se manter naquele local está ficando muito complicado, pois os recursos naturais já estão sendo afetados. Mesmo assim eles tentam resistir de alguma forma.

O filme tem dois atos muito claros. Uma antes e outro depois do falecimento do pai de Amra. O jovem Amra tem um sonho de participar de um Show de Talentos, mas após ele se tornar o homem da casa ele tem que tomar muitas decisões difíceis. E sem a presença do pai o espectador assiste a um drama que leva a um suspense quanto a saber se o garoto vai ou não vai realizar o seu sonho de se tornar um cantor.

A diretora já foi indicada ao Oscar em 2005 por um Documentário.

As imagens foram muito bem escolhidas pela diretora Byambasuren Davaa para representar o dia-a-dia do povo do campo acordando cedo. Então as cenas de amanhecer e entardecer são maravilhosas. Por vezes usam o recurso da silueta e do desfoque entre planos. A diretora já teve uma indicação ao Oscar de 2005 pelo documentário Camelos Também Choram (2003), mas não tinha feito nada para o cinema desde 2009.

A trilha sonora é bem regional, e isso é ótimo, pois ajuda a divulgar a cultura e a beleza da região. Aliás o filme tem um cuidado estético bastante elevado. Tanto na música suave, na trilha que acompanha as cenas. No silêncio necessário para reflexão. Nas escolhas dos ângulos. Nos diálogos e nas relações familiares e pessoais. Enfim, o cuidado estétitco está presente em tudo.

Valores familiares valem muito mais do que o Ouro.

Valores importantes da família estão presentes nesse filme. O amadurecimento forçado de um garoto, e as preocupações de uma mãe que não teve tempo para absorver o luto, e tinha de seguir em frente cuidando sozinha de dois filhos que ainda são crianças. Esse é um daqueles filmes que vale muito a pena assistir por sua qualidade e pela relevância do tema envolvendo o meio ambiente.

Exibido no Festival de Berlim.

Die Adern der Welt (2020) – Alemanha | Mongolia (língua: Mongol) – 1h36min
Esteve na 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
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Crítico de formação livre pela Casper Líbero. Músico baterista, que trabalha com tecnologia, leitor de quadrinhos de heróis e livros de ficção. Como fã da série Star Trek busca analisar e escrever suas críticas com a coerência e a ética dos capitães das naves da Federação dos Planetas Unidos. Vida e longa e próspera a todos.