Crítica: Bacurau mostra como uma cidade se organiza quando até os políticos a abandona.

Bacurau é um cidade fictícia no interior de Pernambuco que mais parece um vilarejo de difícil acesso. Apesar das dificuldades de manutenção que a cidade enfrenta, a população é muito bem guiada pelos mais velhos que sustentam a cultura, os estudos e a saúde local sem apoio dos políticos.

 

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Como em muitas cidades nos confins do Brasil, em Bacurau os políticos só aparecem em período de eleição realizando muitas vezes doações sem sentido com o único objetivo de obter mais votos.

No primeiro ato são apresentados os personagens e os estabelecimentos de Bacurau. Conhecemos a Dona Domingas (Sônia Braga) que com seus conhecimentos médicos, cuida do único ambulatório local. A cidade conta com o professor Plínio (Wilson Rabelo) que consegue bons resultados com os jovens instigando a curiosidade em suas aulas.

Uma das peculiaridades na história de Bacurau é que eles vivem como se estivessem em uma anarquia. A saúde, educação e saneamento básico é feito pelo próprio povo sem a interferência ou apoio das autoridades legais. E tudo funciona, precariamente, mas funciona.

 

No segundo ato o drama é montado assim que a população percebe que a cidade saiu do mapa e que algumas pessoas estavam sendo assassinadas. Essa percepção reúne a cidade inteira com o objetivo de se proteger de um inimigo até então invisível e desconhecido.

Entre os defensores da linha de frente estão o pistoleiro Pacote (Thomás Aquino) e uma espécie de neo cangaceiro conhecido como Lunga (Silvero Pereira), que são a parte barra pesada da cidade.

O Novo Sertão

Para quem lembra do clássico de Glauber Rocha, Deus e o Diabo na Terra do Sol, onde víamos Corisco como chefe dos cangaceiros da região no sertão nordestino abandonado nos anos 1960, vai conseguir fazer várias associações com Bacurau. Mas uma diferença que chamará a sua atenção é o inegável avanço tecnológico que aquela região tem obtido com a chegada da internet nas últimas décadas. Os cangaceiros ainda existem, mas a população está muito mais antenada.
A ingenuidade do povo que se apoiava exclusivamente na fé e na igreja, hoje não existe mais. Todos estão mais questionadores, gerando um grupo mais preparado para as adversidades.

 

Prêmio do Juri em Cannes

Em outra comparação com o Glauber Rocha, Bacurau também foi muito bem recebido no festival de Cannes. É uma produção franco-brasileira escrito e dirigido por Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, com algumas cenas surreais muito bem elaboradas mostrando o comportamento dos moradores em estado de alerta que precisam se unir para não desaparecer. O formato agradou o júri em Cannes e deve te agradar também.

 

Lunga fez o seu protesto na Premiére do filme.

O ator Silvero Pereira que interpretou o neo cangaceiro Lunga em Bacurau chegou com um visual completamente diferente na premiére do filme. Usando um vestido de gala e completamente maquiado ele aparece travestido com uma placa na boca onde se lia “Censura Não!”.

 

Veja também a nossa Vídeo Crítica do Filme:

 

Trailer

 

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Professor de exatas e músico baterista, sempre trabalhou com tecnologia como desenvolvedor. Leitor de quadrinhos de heróis e livros de ficção. Como fã da série Star Trek absorveu a lógica do Sr Spock e muito do comportamento social presente nos capitães das naves da Federação. Vida e longa e próspera a todos.