Crítica: Barrabás mostra a história da morte e ressurreição de Cristo de outro ponto de vista.

Uma das histórias mais conhecidas na humanidade moderna contada pelo ponto de vista de Barrabás. O homem que estava preso por assassinato e teve sua liberdade escolhida pelo povo em um julgamento onde o condenado a crucificação foi Jesus de Nazaré. Era um hábito do governante da época de soltar um preso segundo o pedido do povo durante as festa da Páscoa, conforme já sabemos dos evangelhos Mateus, Marcos e João. E foi assim que o prefeito Pilatos prosseguiu no julgamento perguntando a decisão daquele grupo que estava completamente influenciado para eliminar as ideias de paz e amor que Jesus pregava.

Judas conversa com sua irmã Judite antes da Páscoa.

Barrabás busca respostas e culpados.

Os primeiros 30 minutos do filme conta exatamente o período entre o julgamento e a crucificação de Jesus, o que ficou conhecido como a Paixão de Cristo. Depois o filme fica numa tentativa de criminalizar os responsáveis diretos pela morte do Nazareno enquanto se espera os três dias para comprovar a profecia da ressurreição. E o principal investigador era Barrabás que teria sido crucificado no lugar de Jesus, e ao se dar conta do tamanho do equívoco, passa a buscar respostas e culpados.

As histórias sobre o nascimento fantástico e os milagres que Jesus operava já eram conhecidos e muito populares em seu tempo. Mas ao mesmo tempo em que criava uma legião de seguidores, também criava uma legião de pessoas desconfiadas que acreditavam que tudo não passava de um teatro charlatão. E Barrabás fazia parte do grupo de desconfiados.

Um cenário obscuro aumenta o drama.

José de Arimateia

Outra característica desse filme é a predileção para as cenas noturnas, mostrando uma cidade completamente às escura, somente guiada pela luz da lua, enquanto que dentro das casas algumas poucas tochas faziam a iluminação limitada. O diretor teve o cuidado de representar a sociedade e os costumes da época.

O momento era de tensão. A cidade inteira estava dividida, e os ânimos inflamados. Todos estavam a flor da pele nos três dias entre a crucificação e a ressurreição. E o diretor conseguiu deixar isso bem claro.

O curioso desse filme é que em nenhuma cena pode-se ver o rosto de Jesus de Nazaré em destaque. Ou Ele aparece de costas ou com a imagem focaliza em Suas vestes, mas nunca em Sua face.

Filme de estreia do diretor russo.

Esse é o filme de estreia do diretor russo Evgeniy Emelin. Os atores são bons, e podemos destacar os papéis de Barrabás (Pavel Kraynov), Judite (Regina Khakimova) a irmã de Judas, e Melquior (Zalim Mirzoev). Mas mesmo assim, com atores dedicados, a maior parte dos atores secundários não conseguiram expressar a mesma emoção dos atores principais.

Barrabás é baseado no clássico romance homônimo de Marie Corelli (1894). Talvez por isso o roteiro ficou repleto de diálogos que deixaram as atuações muito dramáticas, como se tivessem sido criadas mais para o teatro Shakespeariano, do que para as telonas.

Como o filme de estreia do diretor está muito bom. Conhecer o que acontecia na cidade naqueles período de expectativa é realmente uma experiência muito gratificante. 

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Professor de exatas e músico baterista, sempre trabalhou com tecnologia como desenvolvedor. Leitor de quadrinhos de heróis e livros de ficção. Como fã da série Star Trek absorveu a lógica do Sr Spock e muito do comportamento social presente nos capitães das naves da Federação. Vida e longa e próspera a todos.