Crítica: Caminhando contra o vento, acompanha o último ano de um talentoso estudante de cinema.

Com o enredo baseado na vida real do diretor, o filme consegue ser bem rico de situações comuns numa produção de cinema. Kun, interpretado por You Zhou, é um talentoso técnico de som para cinema, mas que ainda não tinha definido um foco para sua vida. Vivendo um dia após o outro, sem tanto senso de respensabilidade, normalmente perdia oportunidades de aperfeiçoar a sua carreira com o seu talento. Pelo contrário, não conseguia crescer no audiovisual nem manter relacionamentos amorosos.

Metacinema, é o cinema falando de como fazer cinema.

O filme que mostra a criação de outro filme pode ser chamado de metalinguístico, por ser uma linguagem que trabalha temas sobre a própria linguagem. E é exatamente isso que acontecesse em Caminhando contra o vento. Além de o estudante de cinema já trabalhar com produções, e não tem muita paciência com ninguém lhe ensinando o que quer seja, Kun tem uma percepção aguçada do mundo e dos sons que a natureza produz, e isso lhe basta para ser considerado um autodidata.

O diretor Wei Shujun fez um filme de reconciliação pessoal, onde o protagonista começa sem perceber o quanto não está adaptado socialmente, mas as perdas constantes o fazem prestar mais atenção no que poderia ter sido diferente. Essa auto análise fica bem representada com a interpretação de You Zhou que conseguiu mostrar um jovem inconsequente com problemas para conseguir se manter em empregos, mas que perto da conclusão existe um claro amadurecimento do personagem.

Primeiro longa metragem do diretor.

Esse é o primeiro longa metragem desse diretor e já podemos ver muito cuidado a detalhes que demonstram muita criatividade. Vários motivos justificam assistir a esse filme. Seja para conhecer as paisagens da Mongólia, ou para ver como vivem atualmente os chineses de Pequim.

A trilha sonora é bem variada, passando por vários estilos musicais, e os efeitos sonoros possui muitos detalhes que ajudam a contar a história. A fotografia também usa vários recursos, e ainda conta com uma bela paisagem o interior da Mongólia. Essa viagem pelas estradas da Mongólia e as paradas em hoteis de estrada pode classificar esse filme como um Road Movie, apesar da opção pela viagem apareça no meio da segunda metade do filme, já perto do fim.

Parte da seleção oficial do Festival de Cannes e exibido nos festivais de Londres e de Busan.

Ye Ma Fen Zong (2020) – China (Mandarim) – 2h14min
Esteve na 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
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Avaliação do Cinéfilos Anônimos
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Crítico de formação livre pela Casper Líbero. Músico baterista, que trabalha com tecnologia, leitor de quadrinhos de heróis e livros de ficção. Como fã da série Star Trek busca analisar e escrever suas críticas com a coerência e a ética dos capitães das naves da Federação dos Planetas Unidos. Vida e longa e próspera a todos.