Crítica: O Charlatão pode fazer você acreditar mais no poder da sua fé.

Em uma Tchecoslováquia no início do século XX, uma pessoa se destaca com sua habilidade de curar pessoas usando ervas e emplastos. Seu sucesso é reconhecido em vários lugares e sua habilidade é requisitada por todos. Tudo andava bem por décadas de atendimento até que uma acusação de charlatanismo chegou até ele. Deixando uma dúvida: Toda sua história teria sido uma farsa?

A diretora polonesa Agnieszka Holland fez um belíssimo trabalho biográfico com O Charlatão. Trouxe a tona questões éticas, políticas e sociais, usando muito bom senso e boa didática sem perder o mistério necessário para que a trama prenda o cinéfilo. A dúvida sobre a autenticidade do poder de cura é levantada desde o início do longa. E a opinião de quem assiste pode mudar de lado em vários momentos do filme.

Agnieszka Holland e Ivan Trojan

Com bons mestres e sensibilidade, o sucesso pode surpreender.

O roteiro teve o cuidado para demonstrar que a origem dos dons do curandeiro passa pela boa formação adequada e pela percepção da sua própria sensibilidade. A diretora usa vários flashbacks para contar a história enquanto ele era aprendiz de curandeiro.

Por onde andam os curandeiros?

O longa trazer de volta uma profissão que há muito não se houve falar. O curandeiro, tem sido desmoralizado e desvalorizado há décadas, não pela tecnologia avançada que temos hoje, mas pela quantidade de casos falsos de curandeiros revelados pela grande mídia.

No caso de Jan Mikolásek, interpretado na fase adulta por Ivan Trojan, ele encontra o diagnóstico usando um exame de urina a olho nu. Sem uso de qualquer microscópio ou contrastes, ele consegue determinar várias doenças em seus “pacientes”, e suas recomendações tinham um grande resultado de cura das enfermidades. Mesmo sem qualquer título de doutor ou faculdade de medicina.

Um dos pontos levantados é o poder da fé de cada um no processo de cura. Se você acha que um médico é fraco quando ele te pede para rezar para ajudar na sua cura, então você já pode entender que esse dilema também está presente no filme, naturalmente.

Biografia repleta de história e didática.

Como em toda boa biografia que tem o cuidado de ser didático ao mesmo tempo que entretem, a direção de arte ajuda a revelar os detalhes das amostras de urina que seriam praticamente invisíveis a olho nu. Além de tomar cuidado como os cenários para envolver a trama no tempo histórico adequado.

Figurino atento e impecável.

A trilha sonora é suave, coerente para a época em questão e tem papel fundamental no drama do curandeiro. O destaque maior vai para o figurino cuidadoso para a época, atentos à presença do nazismo em parte da trama.


Charlatan (2020) – República Tcheca (línguas: checo e alemão) – 1h 58min
Esteve na 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
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Crítico de formação livre pela Casper Líbero. Músico baterista, que trabalha com tecnologia, leitor de quadrinhos de heróis e livros de ficção. Como fã da série Star Trek busca analisar e escrever suas críticas com a coerência e a ética dos capitães das naves da Federação dos Planetas Unidos. Vida e longa e próspera a todos.