Crítica: Corpo e Alma é uma história de amor diferente de tudo que você já viu

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Dois cervos, um macho e uma fêmea, caminham sob a neve em uma floresta. O macho observa a fêmea, a fareja e sai andando. Essa é apenas a primeira parte do sonho que um homem e uma mulher têm em comum ao longo do filme. E não, este não é um romance fofo, e sim a história de amor mais incomum que você já deve ter visto nos cinemas.

Endre (Géza Morcsányi) é o diretor financeiro de um matadouro e um profissional bastante admirado e respeitado pelos colegas. Mária (Alexandra Borbély) é a nova responsável pelo controle de qualidade e é extremamente sistemática. Quando Endre a vê na empresa pela primeira vez, ele começa a se interessar pela moça e tenta se aproximar e puxar assunto, todavia Maria não é uma pessoa tão sociável assim. Enquanto ela não conversa com ninguém e tem medo de contato físico, ele tem o braço esquerdo paralisado por consequência de um AVC.
Após um incidente com produto químico utilizado no matadouro, os funcionários são obrigados a conversar com uma psicóloga e é com a ajuda dela que Endre e Mária descobrem sonhar diariamente com a mesma coisa, com ele sendo o cervo e ela a cerva. Os dois ficam intrigados com a situação e, com dificuldades para se comunicarem, passam a se encontrar para compartilhar informações sobre o sonho, até que começa a surgir um sentimento estranho para eles.

O desenvolvimento de Mária para se adaptar ao contato humano e ao sentimento ainda desconhecido é notável e muito interessante. Ela faz todo um processo para poder se acostumar com o toque e aprender a lidar e deixar fluir seu anseio e amor por alguém – marca consulta com um terapeuta infantil, compra um bicho de pelúcia para praticar o contato, coloca a mão num purê de batatas e compra CD para escutar músicas românticas.

Representante da Hungria no Oscar 2018, o romance, dirigido por Ildikó Enyedi (Meu Século XX), choca pela peculiaridade, por se iniciar em um matadouro e mostrar bastante o ambiente de trabalho nada convidativo dos protagonistas ao espectador, até mesmo a decapitação de um animal, para depois mostrar um amor que começa e se fortalece através de um sonho, mas que na vida real requer um contato humano nada favorável. Aliás, a comunicação entre eles e o modo como expressam desejo é muito mais através do olhar do que qualquer outro gesto.

Infelizmente, o roteiro é muito lento para se desenrolar. Quando as coisas começam a acontecer, a ganhar força, o filme termina. Ainda assim, é um longa que vale a pena ser visto pela singularidade, pelas boas atuações dos protagonistas – com destaque para Alexandra Borbély, que parece uma mulher robótica, sem expressões e sentimentos, até o momento em que sua personagem almeja envolver-se com um homem – e pela riqueza de detalhes na construção da história. Com um contraste entre o bonito cenário da fantasia e a frieza da realidade no mínimo intrigante, Corpo e Alma é um filme excentricamente romântico e envolvente para aqueles que apreciam a beleza da sensibilidade e originalidade em uma história de amor.

 

Confira o trailer:

 

 

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
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[Total: 1 Média: 4]

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Jornalista e paulistana, apaixonada por São Paulo e por toda a cultura e o lazer que esta cidade oferece. Desde pequena admirada pela sétima arte e fascinada por sua evolução e sua influência na vida das pessoas das mais diversas culturas e classes sociais.