Crítica: Dias, é um retrato do silêncio da solidão.

Esse filme é diferente de tudo o que você está acostumado a ver no cinema. O roteiro mostra duas pessas de Bangkok na Tailândia, que vivem de forma solitária mas são de classes sociais diferentes. Um, vive em uma casa confortável mas sofre de fortes dores em sua coluna, interpretado por Kang-sheng Lee. O outro faz a sua propria comida, é mais novo do que o primeiro e visivelmente tem menos recursos, interpretado Anong Houngheuangsy. Todo o enredo passa pelos dias analisando essas duas vidas separadamente. E em certo instante eles se encontram.

Câmeras fixas, sem cortes, com cenas longas.

O longa tem duas horas de duração, e em cerca de 90% do filme a câmera fica fixada em um determinado ponto e o ator apenas interage no seu cômodo. Quase não existe cenas com câmeras em movimento. Dessa forma, vemos como cada um, ao seu modo, vive a sua solidão.

O diretor se preocupou em captar as sensações dos atores. Assim podemos ter certeza de que a dor sentida pelo homem mais velho, é real. Ao mesmo tempo em que vemos o mais novo trabalhando e passando seus dias com poucos recursos, isolado do mundo.

Cenas longas de câmeras estáticas nos permite sentir a mesma solidão do personagem.

A ideia de se fazer um filme usando essa forma de gravação é muito interesante. Pois causa a sensação de estarmos na cena. Quando usamos mais câmeras e realizamos cortes nas cenas, nosso cérebro compreende que estamos vendo um filme. Se não tem cortes e a cena demora para terminar, temos a impressão de participar da história. O ângulo é fundamental para essa sensação de presença não se confundir com câmeras de segurança.

O filme pode ser dividio em dois atos. O ponto de inflexão acontece no instante em que eles se encontram. Depois o ritmo não muda muito, mas já existe uma noção de que a solidão de ambos foi parcialmente vencida.

Homenagem ao cinema mudo em pleno 2020.

O que pode causar estranheza nesse longa metragem é a ausência total de diálogos. Mesmo nos tempos do cinema mudo não era visto um filme sem qualquer diálogo, usando apenas os sons do ambiente, e que ainda assim conseguiu passar uma mensagem.

Para ampliar a solidão do tema, não tem qualquer trilha sonora durante o filme todo. Mesmo assim, o diretor Ming-liang Tsai conseguiu encaixar na segunda parte do longa, a música do clássico Luzes da Ribalta de 1952, composta por Charles Chaplin. Isso deu um toque de sensibilidade que marca positivamente esse filme mudo de 2020.

Realmente muito simples e inovador.

Foi exibido no IndieLisboa e no Festival de San Sebastián, e recebeu a menção especial do Prêmio Teddy no Festival de Berlim.

Rizi (2020) – Taiwan e França (Mandarim) – 2h07min
Esteve na 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
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Crítico de formação livre pela Casper Líbero. Músico baterista, que trabalha com tecnologia, leitor de quadrinhos de heróis e livros de ficção. Como fã da série Star Trek busca analisar e escrever suas críticas com a coerência e a ética dos capitães das naves da Federação dos Planetas Unidos. Vida e longa e próspera a todos.