Crítica: Master in Short é uma coletânea de curtas com diretores renomados.

Esse filme traz uma coletânea de cinco curtas-metragens com muita qualidade de produção. São completamente diferentes, sem qualquer correspendência entre eles, seja no estilo ou no tema. Então pode ser uma ótima porta de entrada para quem quer conhecer curtas.

Vamos fazer uma breve descrição de cada curta dessa coletânea composta de diretores consagrados.

“A Visita” de Jia Zhangke

“A Visita”, de Jia Zhangke.

Uma comédia do cotidiano que a pandemia do novo coronavírus nos trouxe. O excesso de limpeza e o medo do contágio foram fontes de inspração para vários humoristas mundo afora. E nesse curta existe uma ideia interessante no uso da escolha de cores. O filme é completamente branco-e-preto mas ele deixa alguns elementos coloridos para chamar a atenção do cinéfilo.

“Escondida” de Jafar Panahi

“Escondida”, de Jafar Panahi

Um documentário jornalístico por trazer um tema social e religioso vivido por mulheres em uma região dominada por regimes extremistas. Conta uma história de uma cantora de voz singular que, apesar do talento comprovado, vive escondida por opção da família que ainda acredita ser um pecado mortal quando uma mulher demonstra seus talentos artísticos. Para aquela sociedade as mulheres não são livres. E esse curta mostra os pontos de vista de uma diretora de espetáculo da região que tenta encontrar essa voz ideal. O filme chega a ter uma metalinguagem por nos mostrar como um documentário pode ser feito usando duas câmeras de celular.

“Os Caçadores de Coelhos” de Guy Maddin, Evan Johnson e Galen Johnson

“Os Caçadores de Coelhos” e “O Adivinhador”, de Guy Maddin, Evan Johnson e Galen Johnson.

Ao assistir a esses dois curtas podemos notar algumas linhas correspondentes que demarcam uma espécie de assinatura dos diretores. Em “Os Caçadores de Coelhos” a edição sobreposta de diversas imagens aleatórias nos remete ao sonhos, e conta a história póstuma de uma vida inteira de alguém. Eles abusam nas cores estouradas para dar ainda mais sensação de sonhos póstumos.

“O Adivinhador” de Guy Maddin, Evan Johnson e Galen Johnson

Já em “O Adivinhador”, as mesmas imagens sobrepostas na edição, agora nos nos ajuda a pensar que o filme foi feito na era clássica dos anos 1930, onde diversos efeitos eram conseguidos com imagens sobrepostas. A escolha pelo branco-e-preto e a proporção de 35mm aumenta mais a sensação de antigo. Mesmo assim, existem temas coloridos que nos traz de volta aos dias atuais. Ele conta a história de um adivinhador de parque de diversões que em certo instante perde seus poderes deixando-o em maus lençóis. A interpretação do adivinhador nesse estilo clássico do cinema mudo precisou se superar, já que no cinema-mudo é a mímica da pantomima que conversam com o público.

“Uma Noite na Ópera” de Sergei Loznitsa

“Uma Noite na Ópera”, de Sergei Loznitsa

Um documentário de uma ária cantada por uma soprano maravilhosa. São imagens reais ainda em branco-e-preto. Antes da execução magestosa, o documentário relata a chegada do público ao teatro. O diretor destaca a chegada de personalidades e pessoas comuns entrando na casa de espetáculos. E ainda mostra que muitos ficaram de fora e não conseguiram ver a estreia. Sergei, conseguiu com esse recorte nos fazer pensar em diversas mudanças que a arte já vinha tendo antes mesmo do caos da pandemia. A valorização do artista de ópera, a casa lotada fazendo os arredores pararem para ver uma estreia já não acontece da mesma forma há vários anos. Essa observação pode ser extendida para os dias de hoje com as mudanças comportamentais de todo planeta que passou a evitar aglomerações.

Enfim, são esses os filmes dessa coletânea rica em qualidade. Note que os grandes diretores nem sempre gravam conteúdo recente. Eles usam material de cinematecas ou arquivos pessoais de outras épocas para suas obras. A criativade não pode ser limitada ao tempo ou espaço.

Master in Short esteve na 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
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Crítico de formação livre pela Casper Líbero. Músico baterista, que trabalha com tecnologia, leitor de quadrinhos de heróis e livros de ficção. Como fã da série Star Trek busca analisar e escrever suas críticas com a coerência e a ética dos capitães das naves da Federação dos Planetas Unidos. Vida e longa e próspera a todos.