Crítica | Merlí (Netflix – 3 temporadas)

A série acompanha três anos na vida do professor de filosofia Merlí, que, com seus métodos nada convencionais, tenta fazer seus alunos se apaixonarem por filosofia. Na primeira temporada, cada episódio leva o nome de um filósofo famoso e, pouco a pouco, somos apresentados aos personagens – alunos, pais e mestres – e conhecemos seus dramas, conflitos e tensões.

À primeira vista, a série nos lembra um bocado a novela Malhação: se passa em um colégio, os atores são adolescentes e a trama traz tudo que engloba o mundo dos jovens, retratando temas como homossexualidade, síndrome do pânico, depressão e bullying. Contudo, é uma série leve e divertida e os personagens cativam o espectador com o passar do tempo.

Outro ponto forte da série é o fato da mesma ser ambientada em Catalunha, região da Espanha, o que proporciona ao espectador, conhecer um pouco mais da cultura e costumes locais. O sistema de ensino é completamente diferente e vê-se um real empenho em estimular os alunos a serem pessoas melhores e desenvolverem seus talentos e não apenas passar de ano.

O personagem mais interessante e, infelizmente pouco aproveitado, é Ivan Blasco. O adolescente sofre de depressão e síndrome do pânico e, com a ajuda de Merlí como professor particular, ele reunirá forças para tentar sair de sua caverna de Platão e descobrir – ou redescobrir – um mundo além das paredes de sua casa. A relação de Merlí com Ivan, é bem construída e seus diálogos são filosofia pura e os mais profundos de toda a série.

Porém, a obra não funciona muito bem para os amantes de filosofia, pois retrata o tema de forma bem superficial, pincelando rasamente, os pensamentos dos grandes filósofos e seus ensinamentos. Por tratar-se de um tema ainda incompreendido e considerado supérfluo para muitos, ela poderia ter explorado um pouco mais o assunto a fim de deixá-lo ainda mais atrativo para o público. As melhores cenas ficam por conta de Merlí, seja em sala de aula ou fora dela, o que nos faz pensar que o personagem carrega a série nas costas e que, sem ele, ela não teria o mesmo brilho.

No entanto, aos que não são tão familiarizados com a filosofia e seus temas, ela cumpre o prometido por Merlí no primeiro dia de aula: “nos deixa excitados” e planta uma semente de curiosidade, para que possamos, por nós mesmos, conhecer melhor cada filósofo e suas teorias, descobrindo novos mundos e vendo a vida com outros olhos.

P.S: As 3 temporadas estão disponíveis na Netflix

 

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
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[Total: 1 Média: 4]

Publicitário, Designer e Crítico de Cinema. É obcecado por monstros gigantes e, talvez, o ser que mais assistiu Breaking Bad neste planeta. Raulseixista desde a infância, hiberna uma vez por ano nos alpes de Itapira, ouvindo 12 horas interrupta do Maluco Beleza