Crítica | Modern Love encanta com um conjunto de histórias reais sobre os diversos tipos de amor

O amor em todas as suas formas, retratado em episódios leves e outros intensos, contudo todos reflexivos. Assim surge a antológica série Modern Love (“Amor Moderno”), disponível na Amazon Prime Video e já renovada para a próxima temporada.

Baseado em uma coluna do jornal The New York Times, Modern Love chega à televisão com oito episódios, de cerca de meia hora cada, mostrando histórias reais sobre o amor – com toque hollywoodiano, claro – variando entre clichês de romances e situações imprevisíveis. Algumas nos tocam mais do que outras, mas todas são bem produzidas e nos fazem refletir de alguma maneira.

 

1. “Quando o Porteiro é Seu Melhor Homem”
Direção: John Carney (Mesmo Se Nada Der Certo)

Logo no primeiro episódio, nos deparamos com a inusitada relação entre a jovem Maggie (Cristin Milioti) e o porteiro de seu prédio Guzmin (Laurentiu Possa), que tem um carinho especial por ela. A princípio, o espectador imagina que possa haver um envolvimento romântico entre eles, até notar que tudo não passa de uma amizade sincera. O porteiro está sempre lá para ajudá-la, além de dar os melhores conselhos e não julgá-la.

Cristin (How I Met Your Mother) tem um carisma enorme e sua química com Laurentiu (Killing Eve) é adorável de ver em cena. O roteiro, em apenas meia hora, consegue nos cativar e nos emocionar com uma história leve, diferente e agradável, que mostra que o amor pode estar onde você menos esperar.

 

2. “Quando o Cupido é uma Jornalista Curiosa”
Direção: John Carney

O segundo episódio apresenta o criador de um aplicativo de paquera Joshua (Dev Patel) e a jornalista Julie (Catherine Keener), que se encontram para uma reportagem sobre amor e passam a compartilhar suas histórias. Essa é uma das narrativas mais simples e previsíveis, mas a forma como é retratada, junto às ótimas atuações de Dev (Lion) e Catherine (Corra!) faz toda a diferença.

 

3. “Me Aceita Como Eu Sou, Quem Quer Que Eu Seja”
Direção: John Carney

Narrado em primeira pessoa, o terceiro episódio traz a advogada Lexi (Anne Hathaway), como uma mulher bipolar, que sofre com os altos e baixos da doença em sua vida pessoal e profissional. A bipolaridade é retratada de forma intensa, mostrando a doença como ela é, triste e difícil de lidar, representada também com uma dose de fantasia e musical, rendendo sequências incríveis. A atuação de Anne é excelente, expressando bem os sentimentos de sua personagem em todas as situações apresentadas. Devo dizer que este é um dos meus episódios prediletos da série.

 

4. “Renovando pra Manter o Jogo Vivo”
Direção: Sharon Horgan (A Noite do Jogo)

O quarto episódio traz Tina Fey e John Slattery como um casal em crise, fazendo de tudo para salvar o casamento. Esse é o capítulo mais parado e dramático, porém um dos mais realistas da temporada, com diálogos marcantes e boa atuação da dupla, especialmente de Tina.

 

5. “No hospital, um interlúdio de clareza”
Direção: Tom Hall (Sensation)

No quinto episódio, conhecemos um homem (John Gallagher) que se machuca no meio de um encontro em casa e precisa ir ao hospital. A moça (Sofia Boutella) o acompanha o tempo todo no hospital e ambos compartilham histórias de vida. A narrativa é simples, com toque cômico em alguns instantes, porém a seriedade prevalece nos assuntos mais profundos. A química entre os protagonistas não funciona bem, mas os diálogos interessantes compensam.

 

6. “Então Ele Parecia um Pai, e Era Só Um Jantar, não é?”
Direção: Emmy Rossum (O Dia Depois de Amanhã)

O sexto episódio é o mais curioso da temporada. Conhecemos Maddy (Julia Garner), uma jovem que cresceu com a ausência do pai e sente falta desse afeto em seu cotidiano. Isso se confunde em sua relação com seu colega de trabalho mais maduro, Peter (Shea Whigham), e resulta em momentos que causam um estranhamento no público – tudo o que ela deseja é que esse colega substitua o afeto de seu pai, já Peter a vê de forma romântica.

Apesar de mostrar bem o conflito da protagonista, a direção de Rossum não consegue transmitir nada além do incômodo da situação, mas prende a nossa atenção justamente pela complexidade da trama.

 

7. “Um Mundo Só pra Ela”
Direção: John Carney

O penúltimo episódio nos apresenta a um casal homossexual bem-sucedido, Tobin (Andrew Scott) e Andy (Brandon Kyle Goodman), que conhece a grávida Karla (Olivia Cooke) durante um processo de adoção. Ao longo da trama, acompanhamos essa amizade, repleta de conflitos e situações inusitadas, entre o casal e a jovem aventureira. Em suma, esta é uma história simples, mas com bastante química entre os personagens e ótimas atuações, resultando em cenas bem-humoradas e comoventes.

 

8. “A Corrida Fica Mais Gostosa na Volta Final”
Direção: Tom Hall

Para encerrar a temporada, umas das histórias mais fofas de amor; desta vez, na terceira idade. Neste episódio, conhecemos Margot (Jane Alexander), uma idosa que conhece o novo amor da sua vida, Kenji (James Saito), em suas corridas diárias. Logo, os dois se aproximam e começam um lindo relacionamento amoroso. Após um discurso emocionante no enterro de Kenji, Margot resolve sair de lá fazendo o que eles mais gostavam de fazer juntos: correr.
Infelizmente, esta é a história mais breve da temporada. Todavia, na segunda parte do episódio, acompanhamos as conclusões de todas as histórias, em uma bela sequência final.

 

Modern Love pode não ser perfeita ao retratar todas as histórias, mas comove com os detalhes, encanta com os diálogos inteligentes e faz o espectador se apaixonar por diversos personagens. Portanto, seja você um amante de comédias românticas ou não, vale a pena pegar a pipoca e tirar um tempinho para dar umas risadas, derramar umas lágrimas e se surpreender.

 

Assista ao trailer:

 

 

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Jornalista e paulistana, apaixonada por São Paulo e por toda a cultura e o lazer que esta cidade oferece. Desde pequena admirada pela sétima arte e fascinada por sua evolução e sua influência na vida das pessoas das mais diversas culturas e classes sociais.