Crítica: Motorrad veio para aterrorizar e mostrar que o terror ainda tem grande potencial no cinema nacional

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E quem poderia imaginar que um local deslumbrante como a Serra da Canastra (MG) seria o cenário perfeito para criar momentos de pavor e apreensão?! Dirigido por Vicente Amorim (Corações Sujos), escrito por L.G. Bayão e baseado em personagens criados pelo quadrinista Danilo Beyruth, Motorrad mistura terror, suspense e ação para retratar um grupo de motociclistas que pegam uma trilha em busca de diversão e, ao ultrapassar uma barreira de pedras, passam a viver um verdadeiro inferno tentando escapar de um quarteto de motoqueiros. O motivo? Só o espectador pode tentar desvendar.

Em uma silenciosa sequência inicial, acompanhamos o jovem motociclista Hugo (Guilherme Prates) ir até um ferro-velho para tentar roubar peças de uma moto até ser pego por um senhor, que tenta atirar nele, e uma garota bonita e misteriosa (Carla Salle), que o leva para dentro, cuida de seu curativo e o deixa ir. Após devolver a moto para seu irmão Ricardo (Emilio Dantas) e vê-lo sair para uma trilha com os amigos, Hugo resolve ir atrás. Os motociclistas são barrados por um muro de pedras e têm a “brilhante” ideia de tirá-las para passar com as motos, dando início a uma série de momentos aterrorizantes, onde são perseguidos por um grupo de motociclistas a fim de acabar brutalmente com eles.
As mortes no longa são bem impactantes, com os atos detalhados e com decapitações. O filme faz com que o espectador fique o tempo todo tentando imaginar a razão de ter começado toda essa perseguição e crueldade, os próprios personagens suspeitam um do outro. Não há explicações óbvias (e isso é bom), o que ficam são as deduções devido às possíveis dicas durante a trama, tornando-se um filme bem interpretativo.

Os momentos de tensão estão presentes não apenas nas cenas de horror, que começam com uma trilha sonora alucinante, como também naquelas mais silenciosas – das quais só conseguimos ouvir o som ambiente e, às vezes, algumas trilhas de suspense – seja através do olhar dos personagens ou devido aos movimentos de câmera, sempre com bons enquadramentos. A fotografia de Gustavo Hadba em tons acinzentados somada à sombria construção de cenário em um ambiente natural e árido contribuem para deixar o filme amedrontador. E o elenco, ao todo, faz uma boa atuação e consegue ser expressivo nas cenas mais silenciosas, mas é Emilio Dantas quem se destaca e convence mais em seu papel.
Depois do ótimo terror O Rastro (2017), Motorrad mostra que o cinema brasileiro voltou a crescer e apostar mais em excelentes produções do gênero (e bem horripilantes), desta vez com um terror slasher. E para quem gosta desse estilo, vai adorar o longa.

Obs.: Assista no cinema, pois a experiência, sem dúvida, é mais gratificante. 😉

 

Convite do diretor Vicente Amorim

 

Assista ao trailer:

 

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
Avaliação dos Visitantes do site
[Total: 2 Média: 3.5]

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Jornalista e paulistana, apaixonada por São Paulo e por toda a cultura e o lazer que esta cidade oferece. Desde pequena admirada pela sétima arte e fascinada por sua evolução e sua influência na vida das pessoas das mais diversas culturas e classes sociais.