Crítica: No Olho do Furacão se perde entre a catástrofe e o assalto, mas é frenético

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Há um grande problema no Brasil na forma em que o marketing costuma vender o filme, principalmente quando se trata de um blockbuster, em No Olho do Furacão, esse erro acontece. O longa, ao menos aqui no Brasil, foi vendido com a ideia de ser uma produção voltada numa enorme catástrofe da natureza, mas, na verdade, o acontecimento climático é apenas um pano de fundo para um mirabolante plano de roubo de mais de 600 milhões de dólares – esse dinheiro todo estaria sendo retirado de circulação e seriam incinerados.

A ideia então dos assaltantes é usar exatamente a passagem de um furacão categoria 5 em Gulfport, tirando proveito da tragédia onde mesmo a cidade estava sendo evacuada pelas autoridades, sendo assim, a cidade ficaria vazia, o que facilitaria a fuga dos assaltantes com os três caminhões cheios de notas de dólares. Ou seja, se você espera ir no cinema para assistir um filme do tipo Twister, em que as tragédias climáticas são o foco principal, vai se decepcionar, o filme tem mais ares de La Casa de Papel, claro, sem a genialidade do professor e seus planos perfeitamente estudados, mas na busca por um filme de ação, o expectador sairá um tanto satisfeito.

Vamos lá, para concretizar o ambicioso plano, a equipe de assaltantes necessita de um código de acesso ao sistema, esse código está guardado por Casey (Maggie Grace), uma das agentes federais. Ela tenta impedir a todo custo o sucesso do assalto ao lado dos irmãos Breeze (Ryan Kwanten) e Will (Toby Kebbell), que perderam o pai ainda quando eram crianças em uma tragédia similar da que está ocorrendo. Contudo, além de impedir o assalto, eles precisam enfrentar as memórias do passado e, ao mesmo tempo, sobreviver a catástrofe em meio ao assalto.

Dentro da proposta do assalto e toda a ação que envolve o confronto entre os bandidos e o pessoal que tenta impedi-los, o roteiro se mantém e cumpre seu papel, cenas de perseguições misturadas ao caos climático oferecem a esperada adrenalina. O carro de Will foi um acerto da produção, um veículo preparado para enfrentar todo o tipo de desastre natural, acaba que sendo uma arma importante para vencer os criminosos e toda a criação do carro, tem uma conexão com o passado do Wiil e a sua profissão.

Os efeitos visuais do furacão ou quando o mesmo se torna uma enorme parede até são interessantes, mesmo eles sendo inferiores se compararmos com a qualidade da computação gráfica de hoje em dia – assim como as cenas finais, quando os três caminhões estão em fuga e atrás deles a enorme parede do furacão de certa forma tem um visual muito bonito.

A película traz boas curiosidades sobre os aspectos físicos de um furacão, fazendo um bom uso do meteorologista, o Will, a usar seus conhecimentos para lidar com os assaltantes, o problema é que, na maior parte do roteiro, o assalto e o desastre natural não se encaixam, a tentativa de criar uma alusão de que a natureza está respondendo às ações da humanidade em meio ao caos do assalto é totalmente falho, não há coesão nenhuma. Os personagens não se desenvolvem, mesmo que a dupla de protagonista apresente um passado de perdas afetivas, mas não há um trabalho de aprofundamento com eles.

No Olho do Furacão que é dirigido por Rob Cohen (Velozes e Furiosos e Triplo X)  apresenta mais falhas que acertos, decepciona quando tenta ser um filme de desastre natural, mas compensa com as frenéticas perseguições, é quando a direção decide em ser apenas um filme de ação e perseguição.

 

 

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Publicitário, Designer e Crítico de Cinema. É obcecado por monstros gigantes e, talvez, o ser que mais assistiu Breaking Bad neste planeta. Raulseixista desde a infância, hiberna uma vez por ano nos alpes de Itapira, ouvindo 12 horas interrupta do Maluco Beleza