Crítica: Os Nomes das Flores conta uma história de forma natural com atores naturais.

Existe uma história real que se tornou lendária na Bolivia em que uma professora que deu abrigo ao Che Guevara, em sua sala de aula, e depois lhe ofereceu um prato de sopa de amendoim, teria ouvido o próprio Che recitar um poema que ficou conhecido como “Os Nomes das Flores”. O filme mostra como a sociedade boliviana ainda valoriza o herói guerrilheiro. Entretanto também vemos parte da população que se sente incomodado com o tamanho dessa idolatria.

A poucos dias das celebrações pelo 50º aniversário do falecimento de Ernesto Che Guevara, os organizadores procuraram saber a verdadeira história a respeito do último dia de vida de Che, naquela sala de aula onde foi morto a tiros. Apesar de já se passarem 50 anos, essa história da sopa e do poema na sala de aula se espalhou de tal forma entre diversas professoras regionais que a autenticidade ficou comprometida, uma vez que muitas professoras já teriam falecido ou estariam em uma idade muito elevada.

José Luis Garibaldi Durán

Atores naturais fazendo o que fazem diariamente.

A opção de usar um casting com a maioria de atores naturais deixou a obra ainda mais verdadeira. Os atores naturais são aquelas pessoas que não são atores profissionais, mas que entram no filme não apenas para fazer figuração, mas possuem funções importantes na história.

O destaque fica para José Luis Garibaldi Durán que é um ator natural com paralisia cerebral, e tem uma missão importante de acompanhar a professora Julia o filme todo. Julia, é a professora que supostamente teria vivenciado a cena com Che Guevara. E após esse evento sua vida deixou de ser voltada para educação e passa a vida relatando o que aconteceu naquele dia.

Confesso que eu terminei o filme querendo saber mais sobre esse ator por acreditar que a atuação como um deficiente tinha sido incrível. Então percebi que o ator era deficiente e isso tornou a obra ainda mais interessante por usar atores naturais, dirigidos de forma impecável.

Destaque para as cordilheiras dos Andes ao fundo.

Uma ficção com cara de documentário.

Usando técnicas de documentários, o diretor Bahman Tavoosi cria essa ficção fazendo diversas entrevistas com pessoas que teriam convivido com Ernesto Che Guevara e poderiam confirmar detalhes dessas histórias.

A trilha sonora, por vezes usando música clássica, reforça a sensação de abndono e solidão de Julia. As tomadas com foco amplo mostram a beleza das terras bolivianas cercada pela magestosa Cordilheira dos Andes como plano de fundo. A fotografia também teve um cuidado para que os entrevistados ficassem olhando de frente para a câmera, criando uma sensação daqueles quadros antigos de retratos de nossos bisavós.

Então, é um filme tranquilo e contemplativo que vale assistir pela fotografia, pela história da Bolívia e pela forma de direção cuidadosa.

Los nombres de las flores (2019) – Bolívia (espanhol) – 1h12
Esteve na 44ª Mostra Internacional de São Paulo
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Avaliação do Cinéfilos Anônimos
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Crítico de formação livre pela Casper Líbero. Músico baterista, que trabalha com tecnologia, leitor de quadrinhos de heróis e livros de ficção. Como fã da série Star Trek busca analisar e escrever suas críticas com a coerência e a ética dos capitães das naves da Federação dos Planetas Unidos. Vida e longa e próspera a todos.