Crítica: O Garçom serve muito bem um prato cheio de suspense.

A rotina de um restaurante pode até parecer monótoma se você analisar as possibilidade que um garçom tem para realizar o seu atendimento com maestria. Todas as opções estão no cardápio do restaurante, e muitos clientes sempre pedem os mesmos pratos com os mesmos acompanhamentos. Então para um garçom metódico e com boa memória fica fácil prever os pedidos de seus mais assíduos clientes, tornando a experiência sempre muito agradável. Entretanto, a que ponto, a vida pessoal pode afetar a qualidade do trabalho de um garçom ou de qualquer trabalhador?

A vida de Renos, interpretado por Aris Servetalis, estava completamente sob controle e muito tranquila até ele perceber um comportamento estranho em seus vizinhos de condomínio. A partir desse instante a rotina que levava no restaurante em que trabalhava mudou completamente, tendo seus vizinhos como principal preocupação diária.

Faz uso dos clássicos.

O filme começa com uma cena que lembra o corredor do hotel de “O ILUMINADO”, e outras cenas de vista aérea mostrando um carro em estradas sinuosas também nos remete ao clássico de Stanley Kubrick, mostrando que o diretor que também assina o roteiro, Steve Krikis, já estava com a intenção de gerar um suspense desde o início da trama.
A interpretação de Aris foi muito importante para compreender vários elementos do filme. Desde o início o filme nos mostra que o garçom e uma pessoa muito organizada e muito culta. Aliás as cenas em que outros apartamentos são mostrados, fica bem evidenciado a diferença de escolhas de lazer. O garçom também é pintor nas horas vagas e até esse cuidado com os detalhes da produção artística do hobbie o diretor teve para deixar claro algumas ações aparentemente estranhas do protagonista.

 

O Garçom é de poucas palavras que dizem muito.

É um filme com pouco diálogo onde as faces dizem muito mais do que as vozes. Tem uma trilha sonora tranquila sem muita interferência, mas que nos ajuda a compreender um pouco da cultura russa atual. Podemos destacar também o trabalho do diretor de fotografia que além das cenas aéreas teve vários cuidados para se esconder e mostrar o que quisesse usando apenas um bom posicionamento das câmeras, closes e um cenário rico, tanto quando estavam gravando às margens de um lago, quando estavam nos apartamentos ou no restaurante.

 

Esse filme foi visto na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Clique aqui e acesse o site da Mostra.

 

 

 

 

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Professor de exatas e músico baterista, sempre trabalhou com tecnologia como desenvolvedor. Leitor de quadrinhos de heróis e livros de ficção. Como fã da série Star Trek absorveu a lógica do Sr Spock e muito do comportamento social presente nos capitães das naves da Federação. Vida e longa e próspera a todos.