Crítica: O Garoto Fantasma nada camarada para o crime organizado

Uma criança enferma que luta contra uma grave doença, num drama lúdico e policial, misturado com vilões e crime organizado, onde o garoto enfermo tem o poder de sair do próprio corpo flutuando como um fantasma pela cidade, imediatamente você julga: Essa não é uma animação para crianças. Na verdade, é para todas as idades. O Garoto Fantasma é uma história de heroísmo, uma referência para todas as crianças que lutam todos os dias contra uma grave doença como o câncer, todas essas crianças, de fato, são as heroínas dos dias após dias, além de discutir sobre o espiritismo.

Com muita criatividade, lirismo e uma história simples, mas funcional, o filme mistura todos os tipos de clichês possíveis para a construção da tal aventura proposta, mas isso não quer dizer que é ruim, ao contrário, nesta animação eles funcionam muito bem. A cidade que é ameaçada por um vilão de rosto deformado e seus capangas atrapalhados, que, através de um vírus de computador, ameaça deixar a cidade à beira da escuridão. Um policial fracassado, que todos os dias tenta provar ao seu chefe o seu valor, a jornalista Mary, que é a mocinha do filme, a personagem é forte e independente. E por fim, o herói, o garoto que atravessa paredes com a sua alma flutuante e que ajuda a desvendar os mistérios e lutar contra os vilões.

A animação franco-belga de Alain Gagnol, Jean-Loup Felicioli (Um Gato em Paris) nos proporciona, através do fantasma de Leo, um passeio visualmente fascinante por cima da cidade de Nova York, com seus prédios cheios de vidas através de suas luzes piscantes e suas enormes placas de publicidade, tudo contornado num grafismo de traços simples e coloridos, lúdicos e vibrantes como a cada arranha-céu com sua luminosidade.

O arco dramático familiar, mesmo sendo segundo plano da história tem sensibilidade e respeito, retratando a fragilidade dos entes do garoto em relação à doença, o pai e a mãe que, por mais que demonstram forças em frente ao filho, desabam em tristeza quando estão sós e sua irmã caçula usa a imaginação inocente das crianças criando o seu próprio universo de fantasias e doçuras, esse universo infantil na trama, se torna mais rico em cores e em trilha sonora.

O aspecto negativo mas talvez proposital, é que o arco policial da história ganha mais importância do que todas as fases dramáticas do filme – a luta contra o vilão sobressai em relação a grave doença, o drama da família e, principalmente, o fato do garoto sair do seu próprio corpo. Entendo que o conflito entre o garoto e o supervilão aos olhos das crianças é muito mais simbólico e leva ao heroísmo, mas, de fato, outras situações que ficaram como segundo plano poderiam ser mais exploradas. 

O Garoto Fantasma tem potencial para fazer o espectador adulto e infantil desfrutar-se de seu belo visual, ouvir uma boa trilha sonora orquestrada numa história simples, mas narrada com eficiência para fazer você ficar ligado à trama do começo ao fim.

 

 

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Publicitário, Designer e Crítico de Cinema. É obcecado por monstros gigantes e, talvez, o ser que mais assistiu Breaking Bad neste planeta. Raulseixista desde a infância, hiberna uma vez por ano nos alpes de Itapira, ouvindo 12 horas interrupta do Maluco Beleza