Critica: O Touro Ferdinando – Um verdadeiro exemplo de como nem tudo é o que parece ser!

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Quando recebemos o convite para assistir “O Touro Ferdinando”, a nova animação do estúdio Blue Sky (o mesmo estúdio dos sucessos “A Era do Gelo”, “Robôs” e “Rio”), dirigida pelo brasileiro Carlos Saldanha (que dirigiu os sucessos citados anteriormente), eu confesso que tive um certo receio para aceitar esse convite, pois a temática em que a história iria ser contada era algo que sempre me desagradou muito desde criança, que são as clássicas e, infelizmente, tradicionais touradas espanholas. Sempre achei uma atividade de uma crueldade tremenda com os animais, que eram maltratados, machucados e até mortos com o único objetivo de servir para o entretenimento humano.

Devido a esse contexto, fui assistir “O Touro Ferdinando” sem nenhuma grande expectativa, esperando um filme infantil com roteiro simples, humor característico de animações “blockbusters” e com a infeliz ideia de adotar a temática das Touradas Espanholas como base para todo o roteiro. Pois é, caros cinéfilos anônimos, é maravilhoso você ir ao cinema com poucas expectativas, pois, ao final da sessão, eu me vi com um enorme sorriso no rosto, depois de enxugar algumas lágrimas (admito), pensando em como eu estava feliz por estar totalmente errado sobre um filme e, claro, com vontade de rever ele várias e várias vezes. Afinal, o filme é simplesmente lindo. E quando eu digo lindo, ele é lindo não só no seu aspecto visual como também no seu aspecto crítico e social.

Baseado no livro infantil “Ferdinando, o Touro”, do autor americano de literatura infantil Munro Leaf (1905-1976), “O Touro Ferdinando” conta a história de Ferdinando, um touro calmo e tranquilo que é contra a violência e tem uma enorme adoração por flores, diferente dos outros touros que sonhavam em ser o “melhor touro de briga” para poder participar do que, para eles era o maior dos sonhos de um touro, as tradicionais, e cruéis, touradas de Madrid. Quando era só um pequeno bezerro, Ferdinando morava em rancho nos arredores de Madrid (na Espanha), onde touros são criados e treinados para serem vendidos para as touradas e os que não são escolhidos são vendidos para a indústria do abate. Diante dessa situação, o pequeno tourinho consegue fugir do seu “cativeiro” e encontra uma família carinhosa que cuida dele como se fosse seu novo animal de estimação. Porém, por um grande (e hilário) acidente, que acontece em sua fase adulta, ele acaba revivendo seu passado e cruzando novamente com seus antigos donos, amigos e com o cruel mundo das touradas, que ele sempre desprezou.

O roteiro é simples, previsível e com pouca originalidade, pois acompanhamos Ferdinando, desde quando era um pequeno bezerro até se tornar um touro forte, grande e bonito, naquela típica história do “patinho feio” onde um indivíduo é diferente dos demais e sofre preconceito por isso, porém, ao longo da animação, o enredo mostra que ser diferente é algo completamente normal e que merece todo o nosso respeito.

Mas o que brilha e faz com que esse simples roteiro se diferencie e consiga te prender até o fim é a profunda crítica social à cruel cultura das Touradas Espanholas e a delicadeza com que toda essa narrativa é conduzida. É tudo muito bem cuidado e apresentado de forma muito satisfatória ao público. Desde o primeiro ao último segundo do filme, você vai conseguir levar a trama sem qualquer momento de desinteresse. Além disso, mesmo que exista essa crítica escancarada às Touradas Espanholas, não existe uma real definição de bem ou mal neste filme. O que existem são as motivações de cada personagem, e essas motivações, por mais erradas que possam ser, são completamente justificáveis.

Por falar em personagens, todos eles são importantes para a história e conseguem mover a trama ao redor do personagem principal (que é de um carisma tremendo) de forma competente, além de ter o destaque necessário para que possamos criar pelo menos uma pequena afinidade com cada um deles.

No quesito humor, Touro Ferdinando” segue a cartilha da comédia existente neste tipo de animação, porém tudo feito com delicadeza e sem forçar a barra em nenhum momento.

A dublagem do longa é muito competente e segue o padrão esperado para animações blockbusters. Com detaque para as vozes de Otaviano Costa (apresentador do Video Show), Maisa Silva (a eterna assistente mirim do Silvio Santos) e Thalita Carauta (Zorra Total) na dublagem brasileira (que foi a versão que eu assisti).

Na parte visual, o estúdio caprichou muito em todos os detalhes, cores, texturas, ambientes, personagens, ângulos de câmeras, fluidez da animação, tudo está muito lindo, polido e natural. Duvido você não se impressionar com a naturalidade com que os personagens se movimentam ou interagem com o ambiente ao seu redor. Destaque para todo o “ar espanhol” que foi criado para ambientar de forma muito fiel e bonita todos os elementos da Espanha que são retratados no filme.

No geral, “O Touro Ferdinando” não é um filme perfeito, muito menos uma animação perfeita. Mas é de uma delicadeza singular que conseguirá emocionar tanto adultos, com uma história comovente e muito bonita, como as crianças, que irão se divertir, e muito, com uma história leve, engraçada e muito marcante. Não deixe de ver este filme no cinema!

É… aquela infeliz ideia de adotar a temática das Touradas Espanholas como base para todo o roteiro não parece nem um pouco infeliz agora!

 

Assista o Trailer:

Bônus – Assista ao curta metragem feito pelo Walt Disney em 1938, vencedor do Oscar de Melhor Curta Animado (no mesmo ano), baseado no conto original de Munro Leaf:

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
Avaliação dos Visitantes do site
[Total: 1 Média: 5]

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Formado em Design Gráfico e trabalhando tanto com gráfico como web, gosto de desenhar e sonho em ser youtuber (risos). Amo tudo relacionado a edição de video e animação (sou daqueles que vibra mais com vídeos de "behind the scenes" do q com os videos propriamente ditos. Curto quadrinhos (Marvel.. desculpa), mangás, animes, séries e filmes. Netflix e Spotify são meus companheiros inseparáveis junto com minhas bebezinhas (uma Canon T2i e uma Gopro)!