Crítica: Operação Overlord, o filme que seria um ótimo game.

Uma tropa americana se prepara para uma missão especial que pode mudar o rumo da segunda guerra mundial, mas acaba descobrindo que os planos dos nazistas vão muito além do que se imaginava e que experimentos sinistros estão sendo feitos em humanos, este é o argumento principal de Operação Overlord, já sua execução…O longa começa bem, causa uma imersão tensa nos primeiros dez minutos e apresenta os esteriótipos de todo filme de guerra, o idiota falastrão, o medroso, o poeta ou escritor, o durão com um passado obscuro e o mocinho íntegro que geralmente é amigo do medroso, todos estão lá, algo acontece e temos menos certezas por um curto período numa cena eletrizante de explosões e quedas, ponto para Overlord.

Modo Furtivo

Infiltrados, o pequeno grupo sobrevivente tem que passar despercebido pelas linhas inimigas, este ponto é equilibrado pela tensão da descoberta, mas também possui erros ao sugerir um passeio entre amigos conversando, mesmo após uma explosão catastrófica.

Aliado que não sabemos se é aliado

A introdução da “mocinha” rebelde é feita de forma mecânica e automática, mas a personagem passa a funcionar como motivação para o mocinho covarde e bem intencionado, gratuito mas funcional.

Primeiro Chefão

Como era de se esperar, o Antagonista não demora a aparecer, desafiar a equipe e sofrer sua primeira derrota de forma traumática o suficiente para que apareça aí um desejo de vingança pessoal. O maniqueísmo é imediato sem grandes preocupações, as motivações do vilão são rasas, mas o suficiente para reforçar a revolta do mocinho e ampliar os valores da mocinha, mas não passa disso.

Plano secreto

O plano heroico de derrubar uma torre de transmissão no topo de uma igreja invadida por nazistas e, assim ganhar a guerra pode parecer ingênuo, mas servindo apenas de pano de fundo para o real sentido do filme, os tais experimentos nazistas realizados em seres humanos e comprovados em muitos documentários, o governo de Hitler buscava formas na ciência e até mesmo na Alquimia de prolongar a vida humana, fortalecer os soldados e darem a eles poderes sobrenaturais para aumentar seu poder bélico, uma estratégia boa para um filme, já que se pode aplacar a ameaça e ampliar a sensação de perigo presente no pequeno grupo de mocinhos deslocados.

Chefão Final possuído

O longa de Julius Avery e produzido por JJ Abrams não escapa da fórmula já vista um milhão de vezes no cinema, seja com o trágico Deadpool em Wolverine: Imortal, seja pelo Mister Bison em Street Fighter (sim, aquele com Van Dame), a grande ameaça volta possuída de poderes, visualmente desgraçada e demoníaca para um embate final confuso, com câmeras desorientadas que não nos deixam entender muito bem o que está acontecendo, a coreografia é desajeitada e as ações dos mocinhos não condizem com nada do que foi aprendido durante o filme, mas o terceiro ato tem qualidade nas maquiagens, os efeitos práticos e especiais são bem feitos e mais uma vez a trilha consegue ditar um ritmo de tensão e força bruta.

Jornada do Mocinho

Talvez o grande problema de Overlord está na construção de seu protagonista, que é puro demais para um filme com este tema, o que acaba por afastar o público durante sua jornada, passando do personagem bem intencionado e de caráter para um covarde trapalhão que não tem a menor ideia de como disparar uma arma, aliás isso é dito no filme. O roteiro não lhe dá muitas escolhas, mas o ator se vira bem na atuação entre caras e bocas, parece realmente muito assustado o tempo inteiro, talvez ao final do terceiro ato ele tente ser um “novo homem” transformado pelos horrores da guerra, mas o máximo que faz parecer é um homem voltando pra casa após um dia de trabalho, inofensivo.

Game Over

Overlord é divertido apesar de previsível, tem um roteiro falho, péssimos diálogos e uma construção e desenvolvimento de personagens nada criativas, mas consegue ser dinâmico, tenso e utiliza muito bem os recursos disponíveis, um filme que daria um bom game com música alta, tiros e explosões em território inimigo, divirta-se.

 

 

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Apenas um homem que faz tudo pela "família", Publicitário, crítico de Cinema e fundador do Cinéfilos Anônimos, bom em fazer propostas irrecusáveis e Lasanhas bolonhesa.