Crítica: Pai, mostra como alguém supera seus limites para ter seus filhos de volta.

Uma história envolvente mostrando os limites que um pai pode chegar para conseguir a guarda de seus filhos. Diversos valores morais e éticos foram levantados nessa obra que nos faz admirar o protagonista ainda mais. Nikola, interpretado por Goran Bogdan, é um operário temporário que tem dificuldades para manter a família com a esposa e os dois filhos. Em certo momento a esposa sofre um surto que ocasiona a perda dos filhos para a Assistência Social. A partir daí, conseguir a guarda novamente, se torna uma saga digna de filme.

Um Road Movie rodado a pé.

Chamamos de Road Movie, aqueles filmes que atravessam longas estradas por vários dias. Esse gênero sempre agrada o público em geral, porque todos acabam vendo lindas paisagens e aproveita para viajar com o personagem. Mas no caso de Pai, temos os mesmos elementos de um Road Movie, só falta o carro. Isso mesmo, o protagonista viaja por cerca de 300km a pé por cidades da Sérvia.

O filme não tem uma trilha sonora musical, mas os efeitos sonoros são muito bem feitos, com grande destaque aos pequenos detalhes. Todo detalhe que você ouvir será importante, desde o som das patas de um cachorro, até a respiração ofegante de quem estava atravessando a cidade a pé, portanto deixe suas orelhas bem atentas.

Interpretação impecável repleta de emoções.

O ator Goran Bogdan é excelente e consegue todas as emoções que o personagem poderia sentir. Indignação ao saber da perda da guarda dos filhos. Determinação para planejar o que acahava ser o certo para fazer. Emoção quando se sente impotente perante as leis burocráticas e absurdas. Alegria com os pequenos sucessos de sua jornada. E muitos outros.

É um fime muito bonito e até emocionante. Mas certamente tem pontos que poderia deixar a obra ainda mais agradável. Algumas pontas ficam soltas no filme, apesar de haver sinais de direcionamento. Se bem que tratando-se de uma ficção, pode ser um caminho para uma possível continuação. Até porque a gente tem a sensação de os problemas do protagonista apenas estão começando.

Esse é o quarto longa do diretor Srdan Golubovic, e já mostrou que tem muita noção de cinema. Ele usa vários recursos cuidadosamente trabalhados para deixar a história mais envolvente. Teve cuidado para destacar cenas que aconteciam no plano de fundo. E quando precisou mostrar o povo de Belgrado, capital da Sérvia, ele conseguiu deixar muito evidente a diferença social.

Se a lei não está ao lado da justiça fica difícil seguí-la.

O filme mostra tanta verdade que a gente fica esperando saber o que aconteceu depois, como acontece normalmente ao final das biografias. Mas esse filme é uma ficção, portanto não é uma biografia baseada em alguma história verdadeira. Mas isso não tira a beleza e a certeza de que são coisas possíveis de acontecer quando se tem a família em perigo.

Vencedor dos prêmios do Júri Ecumênico e do Público da seção Panorama do Festival de Berlim.

Otac (2020) – Serbia | France | Germany | Slovenia | Croatia | Bosnia and Herzegovina (língua: Servio) – 2h
Esteve na 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
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Crítico de formação livre pela Casper Líbero. Músico baterista, que trabalha com tecnologia, leitor de quadrinhos de heróis e livros de ficção. Como fã da série Star Trek busca analisar e escrever suas críticas com a coerência e a ética dos capitães das naves da Federação dos Planetas Unidos. Vida e longa e próspera a todos.