Crítica: Siberia mostra que existem lugares onde qualquer loucura é normal.

Willem Dafoe interpreta Clint, um personagem bastante complexo, cheio de dilemas pessoais que surgiram ainda na infância e o levaram a se isolar em um dos terrenos mais inóspitos da Sibéria. Sua única interação com o mundo externo são seus clientes exporádicos. Em condições tão adversas nem sempre temos as faculdades mentais em perfeito estado. Ao contrário, por vezes, devemos considerar uma frequência elevada de alucinações.

A imaginação pode confundir a realidade, tanto para o bem quanto para o mal.

Clint idealiza tudo para tornar mais acessível. Sua imaginação consegue transformar até algo muito bizarro em algo extremamente natural, e vice-versa. Em meio a seus devaneios ele regressa a sua infância e ao convívio conflituoso que teve nesse tempo. Esses devaneios servem para justificar as alucinações atuais, ou para acalmar suas emoções.
Pouco se sabe sobre ele, o que assistimos é uma espécie de narração em primeira pessoa onde o narrador só se manifesta nos primeiros segundos. Depois, passa a ser interpretado com pouquíssimos diálogos e muita ação. Essa forma de contar uma história precisa de um roteiro muito elaborado, e uma atenção ainda maior do espectador, sem falar de um nível de interpretação memorável.

Willem Dafoe e sua forma peculiar de interpretar.

A flexibilidade de um ator como Willem Dafoe é de impressionar a cada atuação. Ao mesmo tempo em que é chamado para interpretar heróis e vilões em filmes da Marvel e DC, ele também nos mostra a profundidade de personagens como Clint de Sibéria, assim como demonstrou em O Farol de 2019. Em Sibéria, Dafoe intepreta vários personagens que podem ser considerados seus próprios alter egos.

O filme é complexo, bastante surreal e confuso em certas partes. Mas depois de um tempo você consegue compreender a loucura do protagonista e até aprende a esperar a próxima alucinação.
A trilha sonora é fundamental nesse tipo de filme, e nesse caso a trilha prende a atenção e mantém o clima de tensão e agonia na maior parte do longa. O som do frio cortante e os latidos dos Huskys Siberianos também fazem parte dos efeito sonoros que deixa a obra ainda mais desconfortante propositadamente.

O que é mais escatológico: O real ou a alucinação?

O diretor Abel Ferrara não pegou leve quando precisava mostrar o escatológico. Ele conseguiu transformar cenas aparentemtente tranquilas em outras imediatamente tensas e repugnantes em instantes, e ainda deixou dúvidas sobre qual dessas cenas é a verdadeira e qual é o devaneio.

Esse é um daqueles filmes que o precisam do ator Willem Dafoe para dar a complexidade necessária ao protagonista sem deixar artificial.

Siberia – 2020 – Itália, Alemanha, Grécia e Mexico – 1h32m (Inglês)
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Crítico de formação livre pela Casper Líbero. Músico baterista, que trabalha com tecnologia, leitor de quadrinhos de heróis e livros de ficção. Como fã da série Star Trek busca analisar e escrever suas críticas com a coerência e a ética dos capitães das naves da Federação dos Planetas Unidos. Vida e longa e próspera a todos.