Crítica: Em Meus Sonhos, vemos o amadurecimento de um jovem órfão turco.

Uma linda história de amizades entre adolescentes de uma aldeia na Turquia e o recém chegado Tarik, um jovem órfão que, com a ajuda de seus sonhos, consegue superar um grande trauma. Assim que ficou órfão, Tarik foi morar com os avós maternos nessa pequena aldeia. A relação de amizade entre o avô e o neto também é destacado no enredo.

Uma história de costumes das aldeias turcas.

Todo adolescente dessa aldeia se reúne com outros jovens para brincar e desafiar uns aos outros. E os adultos tambem tem seus rituais em grupo, seja para orações ou para decisões administrativas. O diretor teve o cuidado de mostrar as interações sociais dessa aldeia sem tirar o foco do jovem Tarik. Dessa forma, o filme traz uma história de costumes das aldeias turcas, que é muito importante para cinéfilos de outras culturas.

Cada acontecimento na vida Taruk ajuda no seu fortalecimento como ser humano e faz com que seus medos e traumas fiquem menores a cada dia. O enredo tem uma mudança de direção com a chegada de um burrico que prontamente foi adotado pela aldeia. Taruk faz um paralelo imediato entre a sua vida de orfão com a vida do burrico, que também era órfão.

Fotografia de alto nível alternam sonhos com realidade.

A música principal da trilha sonora é o clássico “Jesus Alegria dos Homens” de J. S. Bach, que se repete em vários momentos de reflexão do protagonista.

A escolha das imagens é uma verdadeira obra de arte. A fotografia usa o desfoque e os efeitos de sombra para representar os sonhos e alternar com a realidade de Taruk.

Além do desfoque e das sombras, o diretor usa vários recursos para deixar a fotografia memorável. Ela não apenas mostra as belas planíceis da região, mas também usa e abusa dos reflexos dos lagos e destaca as cores do pôr-do-sol, enquanto as crianças vão se desenvolvendo.

Interpretação muito bem dirigida.

A interpretação é outra pérola dessa obra. Os adultos demonstram muita emoção na medida certa, e os jovens se divertem enquanto atuam. As cenas onde os traumas geravam o medo e a insegurança, ficaram muito bem dirigidas. E a diferença que o amadurecimento proporciona na vida de Taruk também gerou cenas de muita emoção e beleza.

Ao somar a bela fotografia com a trilha sonora cuidadosa, e a interpretação de todos os atores, temos um produto muito bem feito.

Bir Düs Gördüm (2020) – Turquia – 1h30min
Esteve na 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
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Crítico de formação livre pela Casper Líbero. Músico baterista, que trabalha com tecnologia, leitor de quadrinhos de heróis e livros de ficção. Como fã da série Star Trek busca analisar e escrever suas críticas com a coerência e a ética dos capitães das naves da Federação dos Planetas Unidos. Vida e longa e próspera a todos.