Stranger Things voltou ótimo e não chocou ninguém

Crítica | Stranger Things volta ótima e não choca ninguém

A 2ª temporada de Stranger Things chegou com tudo na última sexta-feira (27) e mais uma vez foi impossível não engolir todos os episódios de uma vez. Então vamos começar a falar sobre essa maratona maravilhosa que fizemos por Hawkins!

Como já era esperado a série voltou na mesma qualidade que a anterior. Os personagens continuam carismáticos, talvez até mais do que estavam na primeira temporada, personagens importantes foram desenvolvidos de formas geniais e descobrimos um pouco mais sobre o passado da Eleven que não pôde ser tão explorada na temporada passada. Para quem estava com receio da chegada de mais uma integrante no grupo de nerds mais queridos de Hawkins, devo dizer que mesmo com o pé atrás é impossível não ver a química e a forma que a Max se encaixa perfeitamente com os deslocados da escola.

Mas vamos por partes… Primeiramente me sinto na obrigação de comentar sobre o espaço que o Will teve nessa temporada de Stranger Things. O personagem que mal vimos na primeira temporada, ganhou muito mais tempo de tela e com isso conseguimos enxergar o talento de Noah Schnapp. Ouso até mesmo dizer que as melhores cenas dessa temporada envolveram o menino Will, com uma atuação fantástica por parte do ator mirim. Foi uma ótima oportunidade para “soltar o monstro” que existe ali e ninguém conhecia e com certeza abriu portas para explorarem outros lados do personagem, sabendo agora da competência do ator.

Mesmo com o Will ainda na mesma vida trágica de ficar preso a coisas ruins acontecendo a ele, o personagem conseguiu atrair mais interesse do público e mostrou um lado que não conhecíamos. O Will consciente e apavorado é tão bom quanto uma Eleven perdida e aprendendo sobre a vida na primeira temporada e isso é ótimo.

Stranger Things voltou ótimo e não chocou ninguém

Eleven, apesar de bem menos espaço do que na primeira temporada, foi usada de uma forma ótima aqui. O desenvolvimento da personagem começa devagar, mostrando que sua falta de tato ainda e grande visto que a menina não teve nenhum contato com uma vida normal. Mas a forma que ela foi mostrada aqui, sua insegurança, sua impaciência e desespero de encontrar o seu lugar no mundo, funcionou para desenvolverem o lado com Hopper e até mesmo explicar melhor o personagem que muitas vezes consegue ser uma incógnita. Com um personagem dedicado somente a descoberta de sua verdadeira identidade, Eleven com certeza voltará completamente diferente para as próximas temporadas e isso é ótimo.

Falando em desenvolvimento de personagem, vamos já entrar no melhor desenvolvimento visto nesta temporada que foi de ninguém mais, ninguém menos que o Steve. O personagem que foi quase odiado na primeira temporada conseguiu ser um dos melhores nesta com uma química incrível em cenas com os meninos, especialmente Dustin. Tirar ele do plot romântico com a Nancy foi uma ótima pedida, deu a oportunidade de mostrar mais o que se passa na cabeça dele e tirar o estereotipo de “babaca” que tivemos desde o começo. Isso pode servir até mesmo para um romance melhor desenvolvido entre ele e Nancy no futuro, porque não… Mas com certeza abre portas para participações maiores no plot principal como ocorreu nessa temporada.

A introdução de Max, como eu já mencionei acima, foi ótima. De forma discreta, sem forçar a barra em nenhum momento, conseguimos entender um pouco da complexidade da personagem e acolhe-la em nossos corações como se ela fizesse parte do grupo desde o começo. Achei ótimo terem desenvolvido todo um laço de amizade com os meninos, especialmente com o Lucas, antes de entrarem para algo romântico entre os dois. Tudo fluiu de forma natural, e ainda deixou espaço para trabalharem na rivalidade que existe na cabeça da Eleven entre as duas. Com certeza algo que será interessante, e possivelmente engraçado, mais para frente. A única coisa desnecessária foi o “irmão” Billy que não serviu para absolutamente nada e poderia muito bem ser apagado da história.

Stranger Things voltou ótimo e não chocou ninguém

Quanto a Mike, Lucas e Dustin todos continuam maravilhosos. Lucas e Mike ficaram bem mais apagados nessa temporada, coisa necessária para dar espaço para os outros personagens crescerem e terem mais tempo na tela, mas mesmo assim o pouco desenvolvimento foi ótimo. Mike parece amadurecer tendo que enfrentar os obstáculos da vida, Lucas aprendendo a ousar e confiar em outras pessoas e Dustin mesmo que sendo o “burro” da temporada durante alguns episódios, nos mostrou um lado bem mais sentimental e agradável com seu novo animal de estimação. A forma que deixaram eles fazerem parte de vários plots simultaneamente foi ótima, os personagens continuaram no centro de tudo, mas servindo também para outras coisas funcionarem.

As adições desta temporada foram ótimas, Bob foi um personagem que conseguiu o que muitas vezes é impossível em uma série. Chegou atrasado, sentou na janela e conquistou todo mundo, um personagem maravilhoso que adoramos ter na temporada e não poderia ser melhor, em todos os sentidos. Joyce Byers novamente ganhando o prêmio de mãe do ano com uma atuação monstra de Winona Ryder que merecia até mesmo alguma premiação, simplesmente fantástica. E outro ponto importantíssimo foi o fato da série perceber ter pecado com a morte da Barb na temporada passada e trazendo a carga emocional de culpa e trauma para Jonathan e Nancy reciclarem nessa temporada, deixando tudo natural. Foi necessário mostrarem o impacto da morte da personagem em todos e agora sim podemos superar essa perda.

Quanto a forma que o mundo invertido foi tratado nesta temporada, tivemos algo maravilhoso visualmente falando com cenas bizarras e sombrias envolvendo a maioria dos personagens principais, o que foi ótimo. Conseguimos entender melhor esse lado sombrio e as ameaças inimagináveis que vivem nele, vendo desta vez consequências mais “reais” ao atingir a cidade ao olhar de todos os seus moradores. Mesmo que algo já visto anteriormente foi ótimo, porém não é algo que pode ser limitado em outras temporadas… Para ter tudo centrado nesse mundo desconhecido os roteiristas precisarão ousar muito mais futuramente, o que acreditamos ser algo que os irmãos fariam, e aí sim a série conseguirá atingir o seu ápice.

Concluindo, Stranger Things nos trouxe mais uma ótima temporada. Tão boa quanto a primeira, com humor e drama balanceados, muito mais sombria conforme falaram porém de uma forma diferente. Foi algo mais psicológico do que fantasioso, algo mais real e que deu a chance de expandir o elenco, desenvolver os personagens e prepararem o terreno para uma 3ª temporada ainda melhor! Com certeza vale a maratona de 9 horas, e que venham as próximas temporadas!

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Devoradora de séries, com mais de 100 na grade atualmente. Eterna fã de LOST e apaixonada por ficção científica. Diz a lenda que encara qualquer filme, desde que não tenha nenhum brinquedo assassino envolvido.