Crítica: Walden, mostra um romance de jovens sem medo do perigo.

Uma história de amor de jovens lituanos nos anos 1990, fez com que a Jana jamais esquecesse um lago em que viveu dias incríveis com seu namorado Pauluis. Agora, a Jana adulta, exilada na França, quer voltar àquele lago para reviver as memórias da época em que deixava se levar pelo coração.

Paulius não era exatamente, um cavalheiro. Ele fazia câmbio ilegal de moedas, trocando Rublos por Dólares para estrangeiros. Como a juventude gosta de correr certos riscos, e não tem medo do perigo, eles não tinham problemas em continuar essa atividade irregular. Depois que Jana se aproxima de Paulius, o casal se torna especialista nessa atividade.

A mulher da Lituânia em 1990 ainda não era empoderada.

Analisando o comportamento de Jana, pode parecer que ela é muito subserviente ao namorado. Mas devemos respeitar a socieade da Lituânia em 1990, e compreender que as mulheres ainda não tinham o poder de decisão que possuem hoje.

O enredo se divide entre cenas de 1990 e cenas atuais de 2020. Não existe nenhuma diferença nas imagens ou na trilha sonora para identificar o tempo da cena. O cuidado ficou por conta da direção de arte, que usou um carro antigo e figurino antigo para as cenas antigas e um carro novo com um figurino atual para as cenas novas. Como a maior parte do cenário está em mata fechada, por vezes achamos que as cenas estão num tempo, e na verdade estamos em outro.

Acho que o filme se perdeu na mata ou no tempo. 🙂

O filme vai se desenvolvendo bem até a metade, quando os riscos do comportamento inconsequente de Paulius começam a afetar a vida de ambos. Talvez o roteiro ficasse melhor se contasse exclusivamente a história do passado, sem alternar com os dias atuais. Essa alternância tira o foco dos instantes felizes do casal, e quando volta para o passado, não estamos no mesmo clima.

A diretora Bojena Horackova, não explorou os recursos cinematográficos que podia usar. A trilha sonora podia ter ajudado na emoção das cenas, mas aparentemente não tem música envolvendo o filme.

Podia ser o novo Bonnie & Clayde, mas faltou enredo e parceria do casal.

Os protagonistas fazem um ótimo trabalho. Paulius, interpretado por Laurynas Jurgelis, e Jana interpretado por Ina Marija Bartaité, criam um relacionamento muito bonito de jovens estudantes do final do ensino médio e tinha tudo para serem coparados como uma versão light de Bonnie e Clayde, mas diferentemente do clássico casal de bandidos norte americanos, onde ambos tinham personalidades fortes, aqui somente Paulius comanda a relação e isso gera um tipo de relacionamento baseado na aceitação de Jana e não na parceria de ambos.

Exibido no Festival de Locarno e parte da seleção da L’ACID do Festival de Cannes.

Walden (2020) – França (línguas: lituano – francês) – 1h25min
Esteve na 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
Clique aqui para receber as críticas no seu Whatsapp.

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
Avaliação dos Visitantes do site
[Total: 0 Média: 0]

Crítico de formação livre pela Casper Líbero. Músico baterista, que trabalha com tecnologia, leitor de quadrinhos de heróis e livros de ficção. Como fã da série Star Trek busca analisar e escrever suas críticas com a coerência e a ética dos capitães das naves da Federação dos Planetas Unidos. Vida e longa e próspera a todos.