Dark S02 vai fritar seus neurônios | Crítica sem Spoilers

Quando foi anunciada a primeira temporada de DARK a impressão geral era de que seria mais uma história de adolescentes dos anos 1980 resolvendo mistérios (pegando carona no sucesso de Stranger Things) com pitadas de terror (devido à referência a IT no pôster da série). A estreia dos episódios em dezembro de 2017 mostrou que era isso e muito mais!! Dessa forma a ansiedade pela segunda temporada era alta e mais uma vez a série alemã respondeu às elevadas expectativas.

A primeira temporada de Dark se focou em desenvolver os personagens em profundidade, mais especificamente as mazelas das relações entre todos eles. Também apresentou a sua mitologia sem cair em diálogos didáticos cansativos, ao contrário, foi explicando aos poucos o conceito das viagens temporais, sempre deixando um ar de mistério em torno de tudo. Astrofísica e ocultismo, filosofia e paradoxos, tudo envolvido num clima sombrio e angustiante.

Já nessa segunda temporada de Dark o roteiro, sempre seguro, ficou mais livre para expandir o universo da trama, tanto nas linhas narrativas paralelas quanto em complexidade das situações provocadas pelas viagens no tempo. Dessa forma, duas premissas ficam muito evidentes: (1) a mínima interferência de um viajante no tempo provoca mudanças significativas no futuro; e (2) quanto mais a pessoa se esforça para evitar algum acontecimento, mas ela colabora para ele acontecer.

O final da temporada 1 já dava pistas da importância de Jonas nos eventos decorridos em 1986 e 2019. Agora vamos começar a entender que, quanto mais o tempo se expande (para frente ou para trás), maior é o envolvimento do rapaz.  Preste muita atenção também em Noah, Helge e Claudia, pois seus núcleos narrativos correm um tanto à margem dos eventos principais, mas ambos são muito importantes na construção da trama central. O conflito de Michael/Mikkel vivendo próximo ao seu EU mais novo é angustiante e demonstra suas motivações ao suicídio. A viagem de Ulrich a 1953 causou uma série de desdobramentos infelizes e criou uma nova linha temporal totalmente insana.Porém não tanto quanto os desdobramentos que Jonas provoca por viajar tantas vezes no tempo, para épocas cada vez mais distantes.

Se na primeira temporada havia a dificuldade em acompanhar (e lembrar que era quem) os diversos núcleos narrativos, agora tudo fica mais fácil, pois já estamos familiarizados a todos eles. Some esse fato à ótima escolha de atores que interpretam o mesmo personagem em tempos diferentes e à ótima atuação da maioria deles. Mais interessante ainda é notar as diferenças sutis entre as motivações e preocupações do mesmo personagem em cada linha temporal. O resultado é um envolvimento realmente mais profundo do espectador com os dramas de cada personagem.

Um recurso interessante que a série adotou como assinatura é, no início ou fim de alguns episódios, fazer um tipo de clip com imagens dos personagens, seja em paralelo consigo próprios de outro tempo, seja com os relacionamentos mais relevantes ao momento da série. Num universo rico e complexo de personagens e situações como Dark esse recurso funciona muito bem para o espectador entender as conexões que passaram despercebidas ao longo do enredo.

Mais uma vez a trilha sonora bem executada potencializa o drama de cada sequência. As músicas bregas e divertidas dos anos 1980 criam algum alívio psicológico à trilha principal extremamente tensa e perfeita para as sequências de mistério. Complementando o clima de tensão constante a rica fotografia que se altera a cada linha temporal vai escurecendo conforme os eventos se desenrolam. Vale ainda se atentar ao design de produção, pois existem muitas pistas escondidas nos objetos de cena.

Por toda a complexidade da trama e das revelações surpreendentes em diversos plot twists ao longo dos episódios eu estou evitando falar da história propriamente dita. Ainda que ela seja complexa e até difícil, é muito gratificante ir especulando e descobrindo cada detalhe sobre os personagens e as situações provocadas por interferências no passado. Eu recomendo enfaticamente a assistir a primeira temporada novamente antes de iniciar esta segunda. Além de refrescar a memória sobre os personagens vai te proporcionar uma imersão total nas tramas intrincadas. O final dessa temporada é igualmente impactante ao da primeira, já deixando uma ansiedade enorme para a terceira e última parte de Dark que já foi confirmada para final de 2020. Definitivamente essa mistura de ficção, ciência e ocultismo colocou DARK no meu Top 5 de séries!

 

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Tercio Strutzel ama histórias, seja no cinema, séries, livros ou quadrinhos! Foi editor do fanzine Paralelo, mas hoje quase não consegue desenhar. Se especializou em Presença Digital, mas tem diversos projetos fervilhando na mente. Está sempre em busca de atividades culturais por São Paulo.