Deadpool 2 é um filme família, se a sua família tiver sérios problemas | Crítica

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Filmes de Heróis são puramente entretenimento. Ou deveriam ser, já que se trata de um mix ficção e fantasia. Porém algumas pessoas começaram a levar estes filmes a sério demais, como se os longas devessem parecer um documentário fidedigno do History Channel. Em meio às intermináveis discussões dogmáticas a respeito dos universos quadrinísticos das duas principais editoras surgiu a estreia de Deadpool nos cinemas. Esse fato é incrível, pois ao contrário dos heróis clássicos retratados nas grandes franquias da Marvel e da DC, o personagem criado por Rob Liefeld estava na quinta categoria de heróis (assim como quase todas as criações de Liefeld). Dessa forma não havia praticamente nada a ser criticado a respeito do Mercenário Tagarela e ele teve espaço para se tornar um dos filmes de herói mais divertidos do cinema.

Violência extrema, piadas de humor negro, sátiras ao universo das HQs, palavrões intermináveis e pitadas de escatologia. Estes foram os ingredientes trazidos pelo debut de Deadpool nas telonas. Naquele primeiro filme todos estes elementos eram relativamente contidos, quase como um teste, porém agradaram ao público em geral. Com isso se abriu o caminho para o segundo filme explorar estes ingredientes de uma maneira quase bizarra. E ainda assim divertida.

Claro que no meio de tudo isso não se pode esperar que exista uma trama. E não tem mesmo. O próprio personagem satiriza o roteiro preguiçoso em três passagens do filme. O que temos como rascunho de um roteiro é apenas um fio condutor que agrega aqueles elementos ao longo de três grandes sequências de ação ao mesmo tempo em que resgata heróis e vilões que passaram rapidamente pelo universo X-Men. E tudo isso é divertido.

Em Deadpool 2 Wade Wilson (Ryan Reynolds) está desenganado com a vida após os acontecimentos com sua namorada Vanessa Carlyle (Morena Baccarin), mas ainda conta com o apoio motivacional de seu eterno fã, Dopinder (Karan Soni) e de seu amigo Colossus (Stefan Kapičić). Com isso Deadpool aceita ser estagiário dos X-Men e vai atender a uma ocorrência onde o garoto Rusty Collins (Julian Dennison) está incendiando uma clínica de mutantes. Obviamente tudo dá errado e, para decepção definitiva de Piotr Rasputin, Wade acaba sendo preso juntamente com o mutante adolescente.

Na prisão o jovenzinho se rebela mais ainda e decide se tornar Fire Fist, que será implacável contra quem atormenta os mutantes. E para isso irá se aliar a um vilão ainda mais perigoso, ressurgido dos confins do universo Marvel da década de 1980. Para evitar que Fire Fist se torne o terrível vilão com potencial de planeta, um super-soldado retorna do futuro apocalíptico para eliminar o mal em sua raiz. Cable (Josh Brolin) simplesmente aparece do nada e começa sua caçada pelo adolescente. Aqui a ausência de roteiro foi ótima, pois nos poupou das origens polêmicas deste anti-herói que tem um visual badass e uma personalidade meio patética (não se esqueçam que ele também foi criado pelo Rob Liefeld). Para fechar a balbúrdia, Deadpool decide criar um grupinho vigilante paralelo, e aí está formada a X-Force!

Os principais méritos de Deadpool 2 estão em não perder tempo com explicações detalhadas sobre acontecimentos ou personagens, com isso fica livre para destilar suas piadas infames, desmembramentos de corpos e muitas lutas bem coreografadas e tiroteios bem dirigidos. Enfim, pura diversão para um filme família, mas somente se a sua família for bem desequilibrada.

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
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[Total: 2 Média: 3]

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Tercio Strutzel ama histórias, seja no cinema, séries, livros ou quadrinhos! Foi editor do fanzine Paralelo, mas hoje quase não consegue desenhar. Se especializou em Presença Digital, mas tem diversos projetos fervilhando na mente. Está sempre em busca de atividades culturais por São Paulo.