Crítica: Bruce Willis também tem Desejo de Matar (2018)

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Há um pouco mais de quatro décadas atrás, surgia no cinema o bem-sucedido Desejo de Matar, filme que foi baseado no livro escrito por Brian Garfield e que teve a direção de Michael Winner. A história se passa em torno do pacato arquiteto Paul Kersey, personagem que foi imortalizado por Charles Bronson. Paul Kersey, até então um homem pacífico, viu sua família padecer nas mãos de três criminosos que invadiram a sua casa enquanto estava ausente. Os criminosos estupraram a sua filha, deixando a jovem em estado gravíssimo e, na sequência, eles matam a tiros a sua mulher.

Diante de toda essa situação, Paul se vê sem apoio da polícia que se mostra incapaz de reunir provas do crime para poder prender os criminosos, com isso, Kersey decide fazer justiça com as próprias mãos. Com sede de vingança, Paul se arma e começa a patrulhar as ruas do bairro, matando assassinos, ladrões, tudo que é de ruim, contudo, aos poucos esse “assassino” misterioso é chamado de justiceiro pela sociedade local e pelos policiais, que paralelamente saem a sua caça.

O ano agora é 2018, para ser mais preciso, 44 anos depois Paul Kersey está de volta, agora interpretado por Bruce Willis, que trocou a arquitetura pelo diploma de medicina. Não cabe narrar a história aqui, já que é praticamente um remake do clássico de 74, as bases narrativas e os questionamentos levantados se mantêm fiel ao clássico, claro que algumas coisas mudaram para se adaptar no contexto moderno da atualidade.

O interessante aqui é podermos analisar como muitas coisas na sociedade e no submundo norte-americano ainda ecoam parecidas com as cenas atuais,  mesmo passado quatro décadas, e há uma mescla muito bem realizada nesse filme com as novas tendências atuais – nesse filme, o personagem rapidamente vira lenda, é flagrado em sua primeira ação com uma câmera de celular amadora e, em questão de minutos, sua imagem assassinando uma pessoa já está circulando nos celulares de todo mundo, ou seja, o vigilante de capuz vira lenda bem antes mesmo de saber que já está sendo caçado ou idolatrado pela sociedade.

 

Bruce Willis: 

Não cabe aqui neste texto fazer uma comparação entre Charles Bronson e Bruce Wiilis, isso vai de cada pessoa de como deseja analisar o filme, então o intuito aqui é falar sobre o remake e sobre quem atualmente interpreta Paul Kersey sem comparativo algum com quem já está imortalizado no personagem. Bruce Willis também tem desejo de matar, o ator está menos ligado ao automático, deixa de lado seus atuais caricatos personagens canastrões, ainda que longe de suas atuações de Pulp Fiction e O Sexto Sentido, Bruce desenvolve bem a transição de seu personagem, do pacato homem chefe de uma tradicional família de comercial de margarina, ao homem obcecado pela vingança e que rapidamente captou em seu espírito o desejo de matar. Conforme as motivações do personagem ganham os contornos psíquico evolutivos em sua caça para matar todos os criminosos que destroçaram sua família, o ator cresce junto na trama. Destaco também os atores Kimberly Elise, Vincent D´Onofrio e, principalmente, Dean Norris (como é bom vê-lo em cena), esses personagens intensificam a trama sem que a mesma caia no esmero.

Há alguns furos no roteiro, um deles, talvez o mais gritante, é o personagem ficar rapidamente muito famoso por aparecer nas cenas de crimes sempre com uma blusa de capuz que encobre a sua cabeça evitando que seu rosto apareça. Suas características estão por todos os lados do bairro, nas TV’s das casas, nas lojas, nos smatphones e, ao mesmo tempo, diante de toda essa fama, Paul anda tranquilamente pela cidade com seu capuz, passando pela polícia ou mesmo por todos nas ruas, e em nenhum momento desconfiam que a pessoa é o homem mais famoso e procurado pela polícia local. Com a rapidez das informações de hoje, isso soa um tanto despretensioso.

No geral o filme cumpre seu papel, Willis convence e entrega um bom personagem, há muita ação e dinamismo durante a trama, apesar de que poderia se aprofundar mais em críticas sociais, há uma crítica em debate que é o estatuto americano de armamento, as facilidade encontradas para se adquirir uma arma “legalmente” por lá, o roteiro zomba com esse detalhe, mostrando desde os vídeos no youtube que dão “cursos” de como manusear um revólver e como os norte-americanos transformam pessoas com armas na mãos em heróis.

 

 

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
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Publicitário, Designer e Crítico de Cinema. É obcecado por monstros gigantes e, talvez, o ser que mais assistiu Breaking Bad neste planeta. Raulseixista desde a infância, hiberna uma vez por ano nos alpes de Itapira, ouvindo 12 horas interrupta do Maluco Beleza