Deuses Americanos (American Gods) S02 peca por tanto nonsense

Como grande fã de Neil Gaiman há mais de 25 anos sempre fiquei preocupado sobre como seria a adaptação de suas excelentes obras literárias para outras mídias. Quando foi anunciado que o aclamado livro Deuses Americanos (American Gods) se tornaria uma série de TV pela Starz minha preocupação latente veio à tona. Os oito episódios da primeira temporada exibidos em 2017 foram satisfatórios: fotografia interessante, atores empenhados e um roteiro que manteve razoável fidelidade ao livro.

Mas ai começaram alguns problemas. Os showrunners originais, Michael Green e Bryan Fuller foram dispensados. Um novo showrunner durou apenas alguns meses. Atores importantes anunciaram suas saídas e o próprio Gaiman se envolveu no plot da segunda temporada com o objetivo de realinhar a obra em relação ao livro. Com isso passaram-se quase dois anos entre as temporadas 1 e 2.

Mas, após essa grande ansiedade, a segunda temporada estreou em março de 2019. E infelizmente as notícias não são boas.

Abrindo a temporada com o episódio House on the Rock a série inverte um plot twist importante do livro, já que essa passagem encerra a primeira parte do romance. Uma vez que a série foi dividida em três temporadas para coincidir com as três partes do livro, realmente não deu pra entender essa inversão. Mas vamos em frente, já que esse episódio serviu para oficializar a declaração de guerra dos Velhos Deuses aos Novos.

Enquanto a primeira temporada se preocupou em apresentar a mitologia e os próprios Deuses antigos, esta segunda dá um foco maior nos Novos Deuses. Com isso, de modo geral, ela se torna muito mais dinâmica e lisérgica, refletindo a personalidade instável destas novas entidades idolatradas. Ao menos essa foi a ideia, porque na prática ficou muito (mas muito mesmo) aquém da profundidade narrativa que conhecemos de Gaiman, com sua maestria em mesclar fantasia e realidade.

O que deveria ser nonsense, no sentido de efêmero e inebriante, ficou apenas algo sem pé nem cabeça. Uma sucessão de “viagens muito loucas” que não se conectam entre si e muito menos definem um fio narrativo com algum objetivo. Um amontoado de sequências cansativas com muita explicação repetitiva que não vai nunca a lugar nenhum.

O romance Deuses Americanos foi muito bem recebido pelo público e crítica por suas duas principais premissas: (1) Contar uma história recheada de mitologias e (2) entregar uma road-trip por locais remotos dos EUA. Infelizmente a série de TV produzida pela Starz e distribuída pela Amazon não está fazendo nem uma coisa nem outra.

 

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Tercio Strutzel ama histórias, seja no cinema, séries, livros ou quadrinhos! Foi editor do fanzine Paralelo, mas hoje quase não consegue desenhar. Se especializou em Presença Digital, mas tem diversos projetos fervilhando na mente. Está sempre em busca de atividades culturais por São Paulo.