Deuses Americanos (American Gods) | Crítica

Nos últimos anos as séries de TV ganharam uma dimensão impressionante no cenário da cultura pop. Milhares de pessoas aderiram à esse entretenimento a ponto de se criar até um novo termo: Maratona de séries. Sempre que uma nova série está para estrear vem aquela expectativa se ela será boa ou não. Quando essa estreia é baseada em um romance de Neil Gaiman e apreensão é 100 vezes maior.

Esse é o caso de Deuses Americanos (American Gods), livro originalmente publicado em 2001 e que ganhou uma versão Preferida do Autor em 2011 (2016 no Brasil pela editora Intrínseca). Como é comum em quase todas as obras do premiado escritor aqui temos uma mistura inusitada e complexa entre realidade e fantasia.

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De acordo com sua mitologia, toda entidade divina que é adorada se torna real e seu poder varia de acordo com a quantidade de adoradores que tem. Então divindades como Odin estão fracas, perdendo seus lugares para novos deuses como a Internet, Celebridades, Estradas e a Mídia. Como os EUA são o principal cenário dessa obsessão midiática, pen desse país onde se concentram os Novos Deuses. Mas os Antigos Deuses não gostaram de serem desbancados, e estão partindo de diversos países para uma disputa em solo americano. Nas entrelinhas desse embate divino, Deuses Americanos aborda a homogeneização da cultura e como cada indivíduo busca seu lugar nesse mundo complexo em que vivemos.

Em meio a tudo isso está Shadow Moon (Ricky Whittle) que acabou de ser libertado da prisão após cumprir pena de seis anos. No caminho para o velório de sua esposa Laura Moon (Emily Browning) ele se encontra com o misterioso Mr. Wednesday (Ian McShane) em diversos locais e acaba tendo de aceitar um emprego oferecido por este homem. No trajeto Moon ainda se depara com Mad Sweeney (Pablo Schreiber). Neste episódio ainda temos a apresentação rápida de Technical Boy (Bruce Langley) e uma sequência paralela com a sinistra Bilquis (Yetide Badaki).

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Como em qualquer série o primeiro episódio serve para apresentar a premissa da história e os personagens principais. Em American Gods isso é feito lentamente e com muito mistério envolvido. Lembre-se, é uma obra de Neil Gaiman, não espere por respostas prontas para tudo. O Roteiro de Bryan Fuller promete boa fidelidade ao livro, mas já foi dito que alguns personagens e situações terão mais ênfase e espaço aqui na série do que na obra original.

David Slade é o Diretor do primeiro episódio e soube manter o clima sobrenatural que envolve todos os personagens, bem como fazer um mix entre os elementos divinos com ambientes underground. Como em toda obra de Neil Gaiman, espere por muitas referências à culturas e mitologias diversas desfilando pela tela.

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O grande destaque fica a cargo da estética criada para a série. A iluminação ligeiramente estourada criando alto contraste sobre tons de cores intensos dá certo efeito metálico a tudo que se passa diante da câmera. Lembra um pouco a técnica de Lomografia. Some a isso o uso intenso e alternado de slow motion e fast motion. O resultado é deslumbrante!!

Ainda não há muito o que falar sobre a história em si. Essa primeira temporada de oito episódios irá contemplar as 100 primeiras páginas do livro. Para cobrir a obra completa serão três temporadas. O conteúdo é denso e repleto de elementos sobrenaturais e conceituais difíceis de serem transpostos para a tela. O desafio de Fuller e Slade é imenso, mas foi bem resolvido nesse primeiro episódio. Vamos aguardar os próximos 7.

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Tercio Strutzel ama histórias, seja no cinema, séries, livros ou quadrinhos! Foi editor do fanzine Paralelo, mas hoje quase não consegue desenhar. Se especializou em Presença Digital, mas tem diversos projetos fervilhando na mente. Está sempre em busca de atividades culturais por São Paulo.