Dívida Perigosa (The Outsider) (Netflix) | Crítica

Ambientado após a Segunda Guerra Mundial, no Japão, o longa mostra um soldado americano Nick Lowell (Jared Leto) que, após ser preso e salvar a vida de seu colega de cela Kiyoshi (Tadanobu Asano), membro da máfia japonesa Yakuza, acaba sendo acolhido por ela como manda a tradição e,  aos poucos, vai ganhando espaço dentro do clã, mesmo ainda sendo visto como um gaijn – um estrangeiro.

Assim como nos melhores dramas criminais sobre máfia, passamos por desafetos de famílias rivais, muita violência, assassinatos, cobranças e, quando se trata de Yakuza, tradições que somente os criminosos nipônicos possuem: um pedido de desculpas formal para o patrão acompanhado de um dedo decepado. Contudo, apesar da ambientação e fotografia impecáveis que nos transportam para dentro da Yakuza, há falhas de roteiro, que fazem com o que o filme vá perdendo o ritmo ao longo de suas 2h de duração.

Outro ponto negativo, é a atuação de Leto. Apesar de em alguns momentos sua interpretação lembrar Keanu Reeves em John Wick –  um homem de poucas palavras, inexpressivo mas com um olhar ameaçador – as semelhanças param por aí. Com uma encenação morna e pouco expressiva, Leto soa tão aéreo que quase parece desinteressado em seu trabalho. O único destaque é sua primeira missão como membro da Yakuza, na qual ele retrata com fidelidade a frieza necessária do personagem.

Entretanto, nem só de más atuações vive o longa. O elenco japonês como um todo são o ponto alto da trama, em especial jovem atriz Shioli Kutsuna, que vive a irmã de Kiyoshi. Com uma presença marcante, e uma beleza estonteante, a  australiana, descendente de asiáticos, encanta do início ao fim, em todas as cenas que atua, tamanho seu carisma.

O longa, apesar de novo na Netflix, é um projeto antigo. Anteriormente, o diretor Takashii Miike (13 Assassinos) conduziria Tom Hardy no papel principal, mas entre idas e vindas, o desconhecido dinamarquês Martin Zandvliet (indicado ao Oscar por Terra de Minas) acabou assumindo a direção e Jared Leto ficou com o papel de protagonista. Depois de um retorno triunfal no cinema conquistando o Oscar pelo excelente “Clube de Compras Dallas”, Leto passou a dividir sua carreira entre a banda Thirty Seconds to Mars e a de atuação. Alguns projetos foram interessantes como Blade Runner 2049 e outros nem tanto como a nova versão do Coringa em Esquadrão Suicida.

Este é definitivamente um thriller sem muitas novidades que, embora entretenha e prenda a atenção durante alguns momentos, não apresenta nada de emocionante e surpreendente. Apesar das breves, mas boas sequências de ação, Dívida Perigosa torna-se algo facilmente esquecido pelo espectador assim que chegam seus créditos finais.

 

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Colaboradora do Cinéfilos Anônimos, 31 anos, jornalista. Amante dos animais, da sétima arte e de todas as outras