Divinas Divas | Crítica

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Sensível, uma declaração de amor de Leandra Leal para as Divinas Divas do Brasil

Elas são divas pioneiras e divinas cantoras talentosas, são artistas e rainhas do glamour, Divinas Divas são Jane Di Castro, Marquesa, Rogéria, ValériaBrigitte de Búzios, Camille K., Eloína dos Leopardos Fujika de Holliday, ícones da primeira geração de artistas travestis do Brasil e, mesmo que a terceira tenha chegado a todas elas, ainda estão em cena desfilando brilho, glamour, talento e, claro, muitas roupas extravagantes.

O documentário que, além de ser uma homenagem, é uma linda declaração de amor de Leandra Leal para as oito travestis que fizeram história no nosso país – é o primeiro trabalho da atriz como diretora, ela que antes mesmo de estrear como atriz, já convivia com os bastidores do Teatro Rival na Cinelândia, Rio de Janeiro e tem a sua vida conectada a todas as divas citadas no filme, o que, de fato, fez com que Leandra colocasse toda a sua sensibilidade e as memórias afetivas neste filme. Até imagino a sua dificuldade de deixar dezenas de horas de filmagens fora da edição, o que dá pra entender as quase duas horas de histórias.

Questões familiares das vedetes são tratadas com honestidade, sem sensacionalismo. As histórias variam entre o drama e o cômico, das dificuldades de aceitação da família, como a da Marquesa, relatos sobre a censura que sofriam na época da ditadura, e histórias extremamente alegres, como as da Rogéria e Jane Di Castro, mas todas sem perderem o glamour artístico que elas representam. Leandra retrata a intimidade de cada uma, num recorte humanizado que envolve o espectador a entrar no íntimo de cada personagem, e sim, passamos a admirá-las mais ainda.

A ótima introdução do filme já se destaca pela quantidade de cores e glamour e, logo a seguir, entra em off a delicada e sensível voz da diretora narrando a sua trajetória em relação as divas, nos colocando de vez para dentro de seu projeto, e ainda somos presenteados com um plano sequência maravilhoso em que as vedetes adentram no palco para o show Divinas Divas e, de fundo, uma iluminação em tons dourados que traz toda a fidelidade ao glamour dos grandes palcos dos anos 60 e 70.

A trilha sonora é delicada e nos deixa saudosista, as músicas são interpretadas principalmente por Camille K., Divina Valéria e Eloína dos Leopardos, que, além de suas performances nos palcos, exibem também seus talentos vocais, e o que vemos é que nem o passar dos anos diminuíram o dom delas, as qualidades do vozeirão dessas divas estão totalmente preservadas. Assim como o carisma e a sensualidade estão presentes com elas até hoje.

Divinas Divas é mais do que um documentário, além de um retrato vivo e histórico, é uma homenagem a essas mulheres que são pioneiras na cultura das artistas travestidas do Brasil, é um filme que toca o coração e faz o espectador entrar pelas portas do teatro Rival para vivenciar e envolver-se com as histórias de cada uma. Leandra Leal, aos 34 anos, já é uma das principais talentosas atrizes do cenário atual do nosso cinema e, após o seu primeiro trabalho como diretora, se torna umas das cineastas mais promissoras desta geração.

 

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Publicitário, Designer e Crítico de Cinema. É obcecado por monstros gigantes e, talvez, o ser que mais assistiu Breaking Bad neste planeta. Raulseixista desde a infância, hiberna uma vez por ano nos alpes de Itapira, ouvindo 12 horas interrupta do Maluco Beleza