Entre a Lei e o Salto Alto (Hail-Hil – 2014) | Resenha

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O cinema coreano mais uma vez deixa sua marca ao retratar um tema difícil de forma poética e delicada.

Hollywood deixou uma impressão tão forte em nós que às vezes esquecemos-nos de olhar para outras formas de contar histórias. O cinema coreano tem se destacado cada vez mais em belíssimas produções e apesar do título em português causar certa estranheza, este filme não deixa nada a desejar.

Entre a Lei e o Salto Alto, aborda o conflito interno de um policial transexual, Ji-Wook (Cha Seung-Won). Ao mesmo tempo em que ele é implacável e temido por seus inimigos, em seu interior habita uma mulher delicada e doce que, aos poucos, vai se revelando. Seu grande sonho de largar o trabalho na polícia e fazer a cirurgia de mudança de sexo é interrompido, quando sua protegida Jang-Mi (Som E.) é sequestrada e ele não mede esforços para salvá-la.

O olhar do diretor e roteirista Jing Jang, nos conduz de maneira muito delicada e respeitosa, ao passado de Ji-Wook. Em flashbacks, podemos compreender melhor o quão difícil é para ele olhar-se no espelho, aceitar-se e, principalmente, ser aceito pelas pessoas ao seu redor. A atuação de Cha Seung-Won é magistral e composta em detalhes. Seu olhar, tom de voz e gestos sutis nos fazem reconhecer ali de fato, uma mulher forte, mas que sofre e carrega um peso enorme sobre seus ombros e marcas em seu corpo.

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Simbolismos e analogias permeiam a narrativa de forma delicada, mas impactante, fazendo jus ao cinema coreano com cenas fortes e violentas. A história começa morna, mas ganha corpo com o passar do tempo e nos cativa e prepara gradativamente para o desfecho surpreendente. A trilha sonora em momentos específicos nos lembra a todo o momento o quão delicado é este tema.

É uma história tocante, mas ao mesmo tempo sangrenta. Forte e delicada. Doce e amarga. Seus antagonismos pontuam de forma nítida, as dores e os dissabores de ser uma mulher presa em um corpo masculino.

Ao tratar da transexualidade com a dignidade que o tema merece o longa sem dúvida é o que podemos chamar de joia rara do cinema contemporâneo, ao propor uma reflexão sobre o amor, aceitação e acima de tudo o respeito com o outro.

 

*OBS: este filme pode ser encontrado na grade da Netflix Brasil 

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
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Colaboradora do Cinéfilos Anônimos, 31 anos, jornalista. Amante dos animais, da sétima arte e de todas as outras