Crítica: Um filme para não sentir medo algum de “Exorcismos e Demônios”

Não há como negar que o gênero terror causa o fascínio do público na busca por adrenalina e momentos de sustos no cinema, talvez os gêneros do suspense e do terror são os que mais precisam ou precisaram se reinventar durante décadas e mais décadas, de fato sim, para que tudo não fique somente nos clichês tradicionais e que com isso acabe com aquele tesão de passar o tempo no cinema com aquela sensação de medo e arrepios. A cada trailer lançado sobre algum filme do gênero, nos faz sempre acreditar que tem algo diferente na produção, faz o fã de terror se sentir esperançoso na sua busca pela adrenalina do medo, algumas poucas vezes, aparece um ou outro filme que sabe trabalhar com essa sensação, como o recente Um Lugar Silencioso, mas, infelizmente, isso não acontece com Exorcismos e Demônios, de Xavier Gens (‘Hitman – Assassino 47’), o longa é apenas um mais do mesmo no que condiz a sustos e novidades.

Não que o filme seja descartado, mas está perto disso – o problema aqui é a forma de como foi usado todos os elementos que o longa apresentava. Vamos lá, tem crucificação, exorcização, possessões, muita chuva, uma cidadezinha europeia, no caso na Romênia, uma jovem freira, um padre, uma igreja antiga com seu visual gótico de séculos passado e, também, a comum cena da protagonista ou alguma coadjuvante correndo como uma louca, sem algum rumo para dentro de um milharal à noite apenas para criar uma situação sem sucesso de susto – todos esses elementos foram encaixados no roteiro sem a menor novidade, totalmente previsíveis, repetindo o que muitos outras obras já fizeram, e mesmo colocando alguns jumps scares misturados ao elementos citados, foram tentativas de sustos em sua maioria fracassadas.

O filme é inspirado em uma história real – de um padre que foi sentenciado à prisão após uma sessão de exorcismo em que culminou na morte de uma jovem freira, sabendo do ocorrido, uma jornalista investigativa protagonizada por Nicole Rawlins (Sophie Cookson –“Kingsman”) que é totalmente cética com a fé, se interessa pelo caso e não mede esforços para provar se de fato, o padre assassinou a jovem freira que tinha seus problemas mentais ou se realmente eles perderam a batalha contra as forças demoníacas.

O roteiro escrito por Chad e Carey Hayes (“Invocação do Mal“) se baseia no estigma da pessoa descrente, em que o seu ceticismo religioso o torna alvo fácil para o demônio impor suas maldades. A falta de fé de Nicole foi crescendo após a morte de sua mãe – que desistiu de lutar contra um câncer por conta da fé. Nesse meio termo, em sua busca investigativa, todos os personagens que estão em sua volta parecem ter uma obrigação exagerada de transformá-la em uma pessoa temente a  Deus – é aí onde o roteiro se perde ainda mais, abusa dos diálogos longos, massivos e persuasivos – frases que podem ser encontradas em outras obras, existe aqui também, ao mesmo tempo, coloca em xeque a capacidade de uma jornalista investigativa, onde a mesma não consegue argumentar com as pessoas ou mesmo defender sua posição que justifique a sua falta de fé, numa tentativa rasa e sem sucesso de criar um debate entre a Descrença Vs. Fé.

Há pontos positivos também no filme que o torna não descartável, as cenas na igreja com sua fotografia escura e o clima úmido e sombrio funcionam bem. Os planos Plongée e contra-plongée salvam os fracos diálogos, os planos são bem produzidos principalmente quando algum personagem está em conflito com algum demônio, passando exatamente pro espectador a superioridade das forças demoníacas naquela cena e, ao mesmo tempo, quando em cena o foco principal está de baixo para cima, o espectador consegue também sentir uma sensação de inferioridade perante as forças do além. Câmeras lentas envolvendo as cenas de chuvas também merece atenção por criar algum clima de tensão.

Exorcismos e Demônios é um filme totalmente previsível, apresenta fotografia e planos interessantes, mas falha em sua narrativa e com diálogos fracos que nada condiz, não traz nada de novo para o gênero, além de personagens superficiais que não expelem emoção nem mesmo no arco mais dramático da história, por hora, chego a questionar se realmente o filme foi baseado em uma história real.

 

 

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Publicitário, Designer e Crítico de Cinema. É obcecado por monstros gigantes e, talvez, o ser que mais assistiu Breaking Bad neste planeta. Raulseixista desde a infância, hiberna uma vez por ano nos alpes de Itapira, ouvindo 12 horas interrupta do Maluco Beleza