Crítica: Uma Trasheira para Trasheiros, Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro consegue ser tosco, medonho e engraçado.

Misture as Pegadinhas de Terror do Silvio Santos com aquele quadro Histórias que o Povo Conta do Programa do Ratinho (que aliás, está no filme) e você terá uma ideia do que encontrar no novo filme de Fabrício Bittar e Danilo Gentili.

Após alguns incidentes, uma escola convoca os Caçadores de Fantasma para combater a “entidade” da Loira do Banheiro.

Para gostar desse filme é preciso descer alguns degraus rumo ao recanto mais obscuros do cinema, onde os filmes são de baixíssimo orçamento, efeitos de gosto duvidoso, roteiros absurdos e atuações desacreditáveis de ruim, sim, é possível gostar disso, então bem-vindos ao mundo Trash.

O acerto deste filme é exatamente saber que filme ele é e não ter a pretensão de ser mais do que isso, ele faz rir, tira sustos e cria a sensação de politicamente incorreto vistas em muitos clássicos do gênero nos anos 90 e 2000 – filmes como Todo Mundo em Pânico, Ash vs Evil Dead e por que não, Os Caça-Fantasmas.

É extremamente fácil não gostar de Exterminadores do Além, ele apela para todos os clichês do mundo e vai muito mais ao fundo deste enorme poço de piadas infames, confesso que por duas vezes levei as mãos ao rosto e pensei em desistir, nota-se um excesso de ideias no roteiro que não soube escolher quais eram boas e quais eram totalmente equivocadas, até porque muitas delas servem apenas para que o filme tenha mais tempo de cena, repetindo e repetindo e repetindo até a exaustão.

Por outro lado, temos Murilo Couto num papel muito divertido e interessante desde sua primeira cena, talvez o único com conteúdo suficiente para causar apego, Murilo consegue ser exatamente o que o roteiro lhe pede, nem demais, nem de menos, o “loser” perfeito que causa os risos mais sinceros.

Ainda nas atuações, temos Leo Lins com um personagem interessante, mas pouco explorado e quase esquecido ao longo do filme, aliás, Danilo Gentili mais uma vez forçando o roteiro para o protagonismo estereotipado de frases feitas e uma masculinidade exacerbada, o típico cara que acorda cedo no domingo, vai até a geladeira e abre logo uma cerveja pra começar bem o dia, é forçado, mas no contexto do filme funciona bem.

A direção de Bittar parece não se encontrar, talvez pelo baixo orçamento, talvez pelas dificuldades do roteiro, de fato o filme não apresenta a robustez de cinema, mas apresenta todos os recursos televisivos possíveis, desde a fotografia, montagem e até mesmo na direção de atores, falta um polimento mínimo, mesmo para o Trash. Outra estranheza vem da trilha, posso estar enganado, mas a sensação que fica é de uma trilha branca, ou seja, sem direitos autorais, retirada de algum banco de trilhas free na internet, o longa pede metal, pede músicas mais embaladas, o que poderia exaltar momentos chaves, ambientar o terror e complementar seus protagonistas.

“Isso é só um B.O que eu to guardando pra um primo meu”

Os coadjuvantes são interessantes e poderiam ter sido melhores explorados, a montagem esquece deles e os reencontram muito tarde, não conseguindo assim estabelecer uma conexão final. Mas o trabalho individual de cada um, suas frases, personalidades e motivações geram gargalhadas espontâneas e sinceras, algo que impressiona como subtextos acompanhados de uma disponibilidade por parte destes núcleos em gravar cenas difíceis, com piadas grotescas e banhos de sangue.

Enfim

Os Exterminadores do Além contra a Loira do Banheiro é desconfortável, precário e longo demais, mas cumpre muito bem seu papel de ser um filme desconfortável, precário e longo demais, descendo ao calabouço do Trash, consegue ser toscamente medonho, engraçado e um banho de sangue nojento e divertido.

 

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
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Apenas um homem que faz tudo pela "família", Publicitário, crítico de Cinema e fundador do Cinéfilos Anônimos, bom em fazer propostas irrecusáveis e Lasanhas bolonhesa.