Crítica: Hafis & Mara traça uma sensível linha entre amor, paixão e as conclusões de nossas próprias escolhas

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No final você vai olhar pra trás e avaliar se tudo valeu a pena, neste momento você vai encontrar a resposta para a seguinte pergunta:

Eu fui atrás daquilo que eu amei?

O Documentário do diretor Suíço Mano Khalil reconta a vida do casal Hafis e Mara através dos fragmentos de suas memórias e as conclusões finais do que se tornaram após todas as suas experiências de vida.

Antes de julgar, sinta.

Olhando friamente, a conclusão inicial é que Hafis foi um sacana egoísta que só vivia para satisfazer suas próprias vontades enquanto Mara vivia a sua mercê, desprezada e reprimida em seus desejos, sejam eles românticos ou tudo que deixou para trás quando conheceu o marido. Sem pestanejar esta é a conclusão mais racional que se pode tirar desta história, mas na “imparcialidade” é que podemos cavar muito mais este buraco e nos deparar com um sentimento em seu estado mais bruto, a paixão em sua melhor forma.

Hafis e Mara, ambos forma apaixonados por inúmeras coisas durante a vida, Mara conta com tanta preciosidade sua juventude em Paris, os olhos abrilhantam-se enquanto a saudosa lembrança vem a tona, seguidas de um amargo arrependimento tardio por ter feito as escolhas que fez, Mara voltou sua paixão para Hafis, mas Hafis não é alguém para chamar de seu, Hafis é completamente apaixonado pela vida e dela retira tudo quanto lhe oferecem. Em poucas cenas já tomamos conhecimento de suas andanças e de sua natureza sonhadora, travestidas em artes abstratas que manifestam a inquietude de sua alma e da necessidade de estar sempre em movimento. Hafis não parece ter escondido nada de Mara, seus desejos, seus projetos, suas paixões e suas fraquezas, Mara parece confortável em seu papel de expectadora da vida de seu marido, entre despedidas e acessos de criatividade, sempre entre seus altos e baixos, sempre mirando o futuro numa imensa mala de passado.

Um grande amor construído com respeito e espaço

Em determinado momento, Mara conta pesarosa sobre os casos do marido com rapazes, Hafis em seguida toma partido e diz que já quis conversar com a companheira sobre isso, mas ela prefere manter do jeito que está, ela ainda cita que acreditava ser uma fase e que se acalmasse com a idade. Mara não entende, mas também não confronta, talvez com o tempo tenha aprendido a lidar com o furacão que tem perto de si, a respeitar o espírito e as necessidades de cada um, preservando assim um amor puro. Mara ama Hafis simplesmente porque ele é o que é, pela grande aventura que é a cabeça do marido e por tê-lo por perto para cuidar, Mara é sua maior fã e ao fim do documentário podemos deduzir que mesmo em todas as suas paixões, nada superou seu porto seguro, seu amor, sua Mara de olhos brilhantes.

Um filme delicado e sensível, que reserva o tempo necessário para que o sentimento seja traduzido do modo mais autentico possível, utilizando planos longos e reflexivos, close-ups que evidenciam olhos que já atravessaram gerações e, uma trilha melancólica que permeia todos os minutos desta narrativa sobre a longevidade do corpo e vontade de viver da alma.

Mara é a montanha, Hafis é o vento

Hafis & Mara está em cartaz na programação do 7ª edição do Panorama do Cinema Suíço Contemporâneo que começou na última quarta-feira, dia 09 de maio, com programação no Cinesesc, de 09 a 16 de maioe no CCBB SP, de 09 a 21 de maio, e terá mais duas itinerâncias em sua programação, uma no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília (CCBB DF), de 22 de maio a 10 de junho e outra no Rio de Janeiro, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB RJ), de 30 de maio a 18 de junho.

 

 

Confira também a nossa entrevista com o cineasta sírio do filme, Mano Khalil, diretor do filme: 

Documentário Hafis & Mara | Entrevista com o diretor sírio Mano Khalil

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Apenas um homem que faz tudo pela "família", Publicitário, crítico de Cinema e fundador do Cinéfilos Anônimos, bom em fazer propostas irrecusáveis e Lasanhas bolonhesa.