Heroína(s) – Netflix (Oscar 2018) | Crítica

Indicado ao Oscar em 2018 na categoria de Melhor Documentário em Curta-Metragem, Heroína(s) ou Heroin(e), é um curta-metragem inspirador e, nos mostra a luta diária de três mulheres no combate ao uso de heroína, na cidade conhecida como capital norte americana da overdose. Nos primeiros de seus 39 minutos de duração, somos apresentados a Jan Rader, a vice-chefe da brigada de incêndios da pequena cidade de Huntington na Virgínia. Pouco depois de atender a mais um chamado de uma vítima de overdose, ela dirige pela cidade e nos conta, entre outras coisas, que Huntington é conhecida como a capital norte americana da overdose.

Com ocorrências dez vezes maior que a média nacional, a pequena cidade sofre com uma epidemia de viciados em heroína e, aos poucos, descobrimos as dificuldades enfrentadas por Jan, Patricia Keller – juíza da vara de família- e Necia Freman, uma mulher comum que passa os dias rodando pela cidade, visando encontrar – e ajudar – os viciados. A cidade em sua maioria, é formada por operários. Gente que está acostumada a trabalhar pesado e por muitos anos e que, na tentativa de aplacar as dores físicas oriundas deste tipo de trabalho, buscam alento em remédios legais mas, quando não conseguem mais obter esta medicação, recorrem à heroína como uma forma mais rápida e eficaz de aplacar a dor.

Segundo Jan, a falta de esperança, o desemprego e o pouco investimento em educação fizeram de Huntington, uma cidade marcada pela overdose e, como consequência, mais de uma geração inteira morreu devido ao abuso de heroína. É chocante ver a quantidade de chamados atendidos diariamente e, mais ainda, o estado que que aquelas pessoas se encontram. Contudo, apesar da tristeza de ver, principalmente jovens mergulhados nas drogas, é inspirador ver a força de alguns em resistir e tentar mudar de vida.

Das três mulheres apresentadas no curta, de longe a que mais se destaca é de fato, Jan. Vemos seu amor e devoção, não apenas ao trabalho, mas principalmente aos usuários, com quem ela busca manter algum vínculo e tenta estar sempre presente na vida deles de alguma forma, acompanhando a evolução de cada uma. Merece destaque também, a dedicação de Necia em encontrar e incentivar mulheres a largar o vício e ter suas dignidades de volta.

O trabalho da juíza Patrícia também é cativante. Ela consegue ser firme mas doce ao mesmo tempo. Sabe punir, mas também sabe elogiar e incentivar quem ela vê que está disposto a trilhar outro rumo. A “festa de formatura” aos viciados que estão “limpos” há meses e reconstruindo suas vidas é um dos momentos mais emocionantes do curta.

Heroína(s) é muito mais que um documentário sobre drogas. Ao ir ao ponto, sem rodeios, nos mostra sim o potencial de destruição das drogas, mas acima de tudo revela o poder da empatia e a força de três mulheres comuns que souberam fazer a diferença na cidade em que vivem.

 

 

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Colaboradora do Cinéfilos Anônimos, 31 anos, jornalista. Amante dos animais, da sétima arte e de todas as outras