Crítica: Homem Formiga e a Vespa é despretensioso, diverte e traz personagens carismáticos

Compartilhe

Para o ano de 2018 estavam previstos seis lançamentos de longas-metragens baseados em heróis da Marvel. Os estúdios responsáveis já lançaram os três mais aguardados (Pantera Negra – Fevereiro; Vingadores: Guerra Infinita – Abril; Deadpool 2 – Maio), restando ainda outros dois filmes (Venom e X-Men: Fênix Negra) que são derivados de franquias bem sucedidas. Em meio a estes blockbusters ficou espremido o despretensioso Homem Formiga e a Vespa. Mesmo partindo de um bem recebido filme solo explicando a origem do herói atrapalhado, esta sequência vinha longe dos holofotes. Mas sua ótima qualidade pode mudar este cenário!

No primeiro filme vimos Scott Lang (Paul Rudd) ser recrutado pelo Dr. Hank Pym (Michael Douglas) e sua filha Hope (Evangeline Lilly) para se tornar o Homem Formiga. Sua aventura inesperada pelo universo quântico, despertou na dupla pai/filha o desejo de buscar a Dra. Janet van Dyne (Michelle Pfeiffer) que se perdeu no mundo subatômico 30 anos atrás. Essa premissa simples é o fio condutor da trama desta ótima continuação. O filme não tem super-vilões megalomaníacos (tendência Marvel??) nem eventos globais catastróficos, apenas um homem em busca de sua amada enquanto uma série de reviravoltas bem encaixadas acontece à sua volta. E isso é realmente muito bom!

Depois de sua desastrosa participação em uma missão dos Vingadores, Scott pegou dois anos de prisão domiciliar. Sua pena se resume em tratar de projetos profissionais em desenvolvimento com seu agora sócio Luis (Michael Peña), brincar com sua pequena Cassie (Abby Ryder Fortson) e receber visitas amistosas de Paxton (Bobby Cannavale) e Maggie Lang (Judy Greer). Tudo isso sob a supervisão rígida do agente Jimmy Woo (Randall Park).

Em paralelo o Dr Pym e Hope estão empenhados em seu novo projeto de construir um túnel quântico, necessitando de peças e equipamentos traficados por mafiosos como Sonny Burch (Walton Goggins). Num terceiro núcleo narrativo ainda temos o Dr. Bill Foster (Laurence Fishburne), antigo colega de trabalho de Hank que tenta ajudar a jovem Ghost (Hannah John-Kamen) com seu problema de instabilidade de massa em nível atômico. Obviamente tudo isso vai servir de entrave para que o Dr Pym consiga resgatar sua esposa perdida.

O Roteiro de Gabriel Ferrari, Paul Rudd, Erik Sommers, Chris McKenna, Andrew Barrer é conciso e eficiente, sobretudo por manter unidade e consistência exemplar com o filme inicial. Personagens principais com a profundidade certa e os demais tão rasos quanto necessários apenas para enriquecer a trama. Os incessantes pontos de viradas dão um ritmo intenso ao filme, com ação frenética, intermeada por boas doses de humor, tudo sob uma Trilha Sonora bem elaborada. Isso sem deixar de lado o alívio cômico na medida certa de Luis e suas narrativas aceleradas ao estilo Guy Ritchie. Em resumo, o que foi bom no primeiro filme ficou ainda mais maduro e melhorado nesta sequência.

Antes de substituir Edgar Wright nessa franquia, o Diretor Peyton Reed possuía em seu currículo apenas quatro comédias românticas bem insossas. Seu futuro não parecia promissor, porém trabalhando em conjunto com o Diretor de Fotografia Dante Spinotti e os Editores Dan Lebental e Craig Wood criaram recursos tão criativos quanto inesperados. Alternar entre micro e macro cenários envolvendo perseguições, lutas e deslocamentos era um desafio e tanto. Mesmo assim o resultado ficou realmente incrível! A velocidade com que os heróis modificam seus tamanhos e o de objetos à sua volta ficou tão bem realizado e integrado às sequências de ação que a sensação de realidade é total.

Com uma trama simples, personagens carismáticos e nenhum vilão desejando conquistar o mundo, o despretensioso Homem Formiga e a Vespa chega às telas desbancando muitos blockbusters do universo Marvel em termos de diversão e entretenimento. Não se importe com algumas falhas sobre Física Quântica e deixe a diversão rolar. Ah, o filme tem duas cenas pós créditos e uma delas faz uma conexão importante com Guerra Infinita.

 

 

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
Avaliação dos Visitantes do site
[Total: 3 Média: 5]

Compartilhe

Tercio Strutzel ama histórias, seja no cinema, séries, livros ou quadrinhos! Foi editor do fanzine Paralelo, mas hoje quase não consegue desenhar. Se especializou em Presença Digital, mas tem diversos projetos fervilhando na mente. Está sempre em busca de atividades culturais por São Paulo.