IMPUROS | Primeiras impressões e 5 bons motivos pra acompanhar a série

Na próxima sexta-feira, 19 de outubro, às 22 horas, chega ao Fox Premium a série nacional IMPUROS, que tem como tema principal a abordagem do narcotráfico no Rio de Janeiro da década de 90. A série é composta por dez episódios, com cerca de 50 minutos cada, nessa primeira temporada e, em um bate papo com a imprensa na semana passada, onde foram apresentados os dois primeiros episódios, René Sampaio (“Faroeste Caboclo”), um dos diretores do filme (outro na direção é Tomás Portella “Operações Especiais”) já adiantou que a segunda temporada da série está em produção e a terceira está confirmada também.

 

A trama é verídica e bem amarrada

Baseada em fatos, Impuros foi criada por Alexandre Fraga, a série acompanha a trajetória de Evandro do Dendê (Raphael Logam), um jovem da favela carioca que, com a aproximação da sua maioridade, tinha como objetivo ganhar seu próprio dinheiro honestamente, até que, quando seu irmão traficante é morto por policiais corruptos, Evandro vê seus sonhos e objetivos mudarem ao decidir buscar vingança.

Contudo, Evandro do Dendê mata os responsáveis pela morte do irmão e como consequência, acaba se tornando um dos principais líderes em escala internacional do narcotráfico. Em paralelo a ele, temos o policial Victor Morello (Rui Ricardo Diaz), controverso, parrudo e que tem problemas sérios com o álcool, mas que, a todo custo, quer colocar o narcotraficante atrás das grades.

Já nos dois primeiros episódios é possível notar todas as camadas e os papéis da maioria dos personagens e principalmente as incertezas obscuras que compõem cada um deles.

 

Violência e tiroteios frenéticos

O espectador já está acostumado com produções nacionais que destacam o narcotráfico nas favelas, principalmente no eixo Rio-São Paulo. Em IMPUROS também é encontrado cenas de jovens traficantes correndo de policiais, atirando para todos os lados e subindo os morros a todo vapor nos estreitos becos das favelas.

Mas alguns pontos nesta série diferem de muitas outras obras do mesmo contexto, aqui o ritmo frenético está presente em cada cena de perseguição e tiroteio, com uma carga grande de tensão para o espectador, principalmente pelas inversões que a série apresenta, onde em um momento é a policia que caça e em outro a situação se inverte.

 

A Humanização dos personagens 

Entre o primeiro e o segundo episódio (esse texto foi escrito em base dos dois primeiros episódios) acompanhamos o desenvolvimento de dois personagens e a relação humana deles. No primeiro o foco fica em Evandro do Dendê (Raphael Logam), onde acompanhamos sua trajetória, as ações e motivos que o levaram para o mundo do crime. Toda essa transformação na vida de Evandro é muito bem elaborada e as situações do passado do personagem, somando ao turbulento cenário de pobreza das favelas carioca dos anos 90, faz com que o espectador tenha um certo apego com ele.

No segundo episódio em paralelo a história de Evandro, conhecemos o policial Victor Morello (Rui Ricardo Diaz), ele é determinado a fazer o seu trabalho corretamente, mas, ao mesmo tempo, se vê dentro de uma corporação acomodada, falida e corrupta e nesse cenário, o policial vive seu dilema dia a dia enfrentando o seu vício por álcool. Vitor também é um policial abusivo, que usa o seu cargo para passar por cima das leis e dos direitos humanos, mesmo sendo um policial honesto, Victor se acha no direito de sobrepor a tudo e a todos.

 

Rap da Felicidade em 3 versões distintas 

Eu só quero é ser feliz…

Nos dois primeiros atos da temporada, ouvimos duas versões distintas da música Rap da Felicidade, que no original ficou imortalizada pelo funk de MC´s Cidinho e Doca. A abertura da série, a música, vem com uma versão instrumental, a sensação ao ouvir a versão é de sentir o choro de muitas mães que perderam seus filhos nessa guerra sem fim, em que o tráfico e a corrupção de muitos policias dominam até hoje.

A segunda versão apresentada é na voz de Alcione – talvez essa seja a que mais conversa com a realidade e a beleza da letra da música, Alcione carrega toda a sensibilidade e o sentimento da letra em sua voz, isso tudo somado ao uma melodia lenta que faz o espectador sentir a dura realidade das favelas. Na cena em que a música é apresentada, imediatamente vem à nossa mente todas as mortes de cidadãos inocentes e crianças por balas perdidas, e também de policiais que perderam suas vidas em batalha com o tráfico. É o encontro da nossa memória com o coração e a alma da cantora, em uma realidade que perpetua até hoje, todos os dias nas favelas cariocas.

Há mais uma outra versão da música que será tocada durante a primeira temporada.

 

O Plano Collor e a crise econômica que assustou o país

Já no segundo episódio, a trama se depara com a imposição do Plano Collor, a situação econômica dessa época que assustou o Brasil é um dos maiores trunfos deste roteiro. O plano econômico anunciado nos primeiros dias de governo da era Collor e anunciado pela então Ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Mello, que congelou todos os investimentos dos brasileiros que estavam guardados em poupanças, fizeram o país entrar em ebulição e, com altos índices de suicídios, já que muitos brasileiros ficaram impossibilitados de sacarem seus dinheiros.

O roteiro então teve uma grande sacada de usar essa situação para determinar o rumo de alguns personagens e impressiona como os anos 90 ainda dialoga muito com a realidade atual.

Esses são os 5 bons motivos da série que chamaram a nossa atenção, além também, de um elenco afinadíssimo que enriquece com a composição de Lorena Comparato, Cyria Coentro, André Gonçalves, Fernanda Machado, entre outros. 

 

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
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Publicitário, Designer e Crítico de Cinema. É obcecado por monstros gigantes e, talvez, o ser que mais assistiu Breaking Bad neste planeta. Raulseixista desde a infância, hiberna uma vez por ano nos alpes de Itapira, ouvindo 12 horas interrupta do Maluco Beleza